O plano de ruptura da ordem democrática começou em março de 2021, com ações de Jair Bolsonaro e aliados, e culminou na tentativa de golpe em janeiro de 2023.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia detalhada sobre os passos de um plano articulado para um golpe de Estado, que começou a ser tramado em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, com o objetivo de garantir sua permanência no poder, mesmo que o resultado eleitoral de 2022 fosse contrário a ele.
A crise política de março de 2021
Em março de 2021, o cenário político mudou com a decisão do ministro do STF, Edson Fachin, que anulou as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-o elegível novamente. Com Lula à frente nas pesquisas eleitorais para a presidência de 2022, o grupo de apoio a Bolsonaro começou a se organizar para desafiar a possível vitória do ex-presidente.
Ataques às instituições e críticas ao STF
Nos meses seguintes, Bolsonaro e seus aliados passaram a desafiar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o sistema eleitoral brasileiro. A narrativa de fraudes nas urnas eletrônicas foi introduzida e repetida, buscando minar a legitimidade do processo eleitoral.
Discurso de 7 de Setembro de 2021
Em 7 de setembro de 2021, durante os festejos da data, Bolsonaro declarou sua intenção de não se submeter às deliberações do STF e revelou seu apoio nas Forças Armadas. Este discurso indicava que o presidente estava disposto a desobedecer decisões judiciais, caso a vitória eleitoral de seu adversário ocorresse.
Incitação ao uso da força
Em julho de 2022, Bolsonaro convocou uma reunião ministerial para discutir ações de ataque às urnas e fomentar notícias falsas contra seu principal adversário. O general Augusto Heleno, do governo, indicou que “se tivesse que virar a mesa, seria antes das eleições”. Além disso, ele sugeriu o uso da força, se necessário, para garantir a permanência de Bolsonaro no poder.
Tentativa de interferir nas eleições
Durante o segundo turno das eleições de 2022, Bolsonaro e seus aliados utilizaram a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o acesso dos eleitores às zonas eleitorais, especialmente em áreas com forte apoio a Lula. Embora as alegações de fraude não tenham sido confirmadas, a narrativa de fraude nas urnas continuou a ser difundida.
O plano de fuga e resistência militar
Com a derrota nas urnas em 2022, Bolsonaro e seu grupo golpista tentaram mobilizar a militância para pressionar as Forças Armadas, principalmente o Exército, a impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder. Em novembro de 2022, houve até reuniões com oficiais do Exército e treinamentos para a articulação do golpe.
O plano de assassinatos
De acordo com a denúncia da PGR, membros do núcleo golpista dentro do Palácio do Planalto teriam articulado um plano para assassinar Lula, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O plano, denominado "Punhal Verde-Amarelo", não foi executado devido à falta de apoio do comandante do Exército.
Tentativa de golpe em janeiro de 2023
Após a posse de Lula, as manifestações em frente aos quartéis e a incitação de ações contra o novo governo se intensificaram. Em 8 de janeiro de 2023, os golpistas invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília, com o apoio de policiais militares do Distrito Federal, tentando concretizar o golpe. O evento ficou marcado como tentativa de golpe de Estado.
A frustração e o fracasso do golpe
Apesar de todo o planejamento, o golpe não foi concretizado devido à decisão de líderes militares, como o comandante do Exército e comandantes regionais, de não aderirem ao movimento golpista. A resistência das Forças Armadas em se envolver no golpe foi fundamental para impedir a ruptura da ordem democrática.
A denúncia da PGR revela que o plano golpista foi orquestrado desde 2021 e só não foi concretizado em 2023 devido à recusa das Forças Armadas em apoiar o movimento, preservando a estabilidade institucional e constitucional do Brasil.
Informações da Agencia Brasil.