Brasil

Cúpula do Brics termina com declarações sobre clima, saúde e IA

Lula encerra mandato rotativo e defende paz, regulação e soberania digital.

07 de Julho de 2025
Foto: Prime Ministers Office / ZUMA Press / picture alliance

A Cúpula do Brics chega ao fim nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, com a divulgação de declarações finais sobre temas como saúde global, mudanças climáticas e governança da inteligência artificial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passará o comando rotativo do bloco para a Índia, após liderar os encontros nos últimos dias.

Os chefes de Estado e de governo dos países-membros e nações parceiras participaram da última sessão plenária do evento, com foco em meio ambiente, COP30 e saúde global. Estão presentes na cidade líderes da Índia, África do Sul, Egito, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Etiópia. Já os presidentes da China, Rússia e Irã não compareceram, mas enviaram representantes. O presidente russo Vladimir Putin participou por videoconferência.

Durante o encerramento, os 11 países-membros divulgaram a “Declaração do Rio de Janeiro”, na qual defenderam uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas (ONU), reforçaram o apoio à solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina e manifestaram repúdio a ataques contra o Irã, embora sem citar diretamente os autores nem os Estados Unidos.

No discurso final, Lula alertou para os riscos geopolíticos atuais.
"A instrumentalização dos trabalhos da Agência Internacional de Energia Atômica coloca em jogo a reputação de um órgão fundamental para a paz. O temor de uma catástrofe nuclear voltou ao cotidiano.

Absolutamente nada justifica as ações terroristas perpetradas pelo Hamas, mas não podemos permanecer indiferentes ao genocídio praticado por Israel em Gaza e à matança indiscriminada de civis inocentes e o uso da fome como arma de guerra. O governo brasileiro denunciou as violações à integridade territorial do Irã, como já havia feito no caso da Ucrânia", disse o presidente.

Outro documento importante divulgado no domingo (6) trata da regulação da inteligência artificial. A declaração do Brics sobre o tema defende a "soberania digital" dos países, regulação do setor e o pagamento de direitos autorais por conteúdos usados para treinar modelos de IA, algo contestado por grandes empresas de tecnologia.

"Ao adotar a declaração sobre governança da inteligência artificial, o Brics envia uma mensagem clara e inequívoca. As novas tecnologias devem atuar dentro de um modelo de governança justo, inclusivo e equitativo. O desenvolvimento da inteligência artificial não pode se tornar privilégio de poucos países ou um instrumento de manipulação na mão de bilionários. Tampouco é possível progredir sem a participação do setor privado e da organização da sociedade civil", afirmou Lula.

O encerramento da cúpula foi marcado também por mais uma foto oficial dos líderes e discursos voltados ao fortalecimento da cooperação entre os países do Sul Global.

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