Mundo

França reconhecerá Estado palestino na ONU em setembro, diz Macron

Decisão histórica torna país a primeira potência ocidental a oficializar reconhecimento.

25 de Julho de 2025
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou na última quinta-feira (24) que o país reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para setembro de 2025. A decisão foi publicada por Macron em sua conta no X (antigo Twitter), junto a uma carta enviada ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

“Fiel ao seu compromisso histórico com uma paz justa e duradoura no Oriente Médio, decidi que a França reconhecerá o Estado da Palestina. Farei esse anúncio solene na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro próximo”, escreveu Macron.

Com a decisão, a França se tornará a primeira grande potência ocidental a reconhecer um Estado palestino, fortalecendo um movimento que até então vinha sendo liderado por países menores e tradicionalmente críticos a Israel.

A medida provocou forte reação por parte do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou a decisão e afirmou que a iniciativa “recompensa o terror e corre o risco de criar outro representante iraniano”.

“Um Estado palestino nessas condições seria uma plataforma de lançamento para aniquilar Israel, não para viver em paz ao lado dele. Sejamos claros: os palestinos não buscam um Estado ao lado de Israel; eles buscam um Estado em vez de Israel”, declarou Netanyahu, também em publicação no X.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou a medida como “uma vergonha e uma rendição ao terrorismo”, afirmando que o país não permitirá a criação de uma entidade palestina que coloque em risco sua segurança e existência.

Já os Estados Unidos, em telegrama diplomático divulgado em junho, afirmaram ser contrários a qualquer medida unilateral de reconhecimento de um Estado palestino. Até o momento, a Casa Branca não comentou publicamente o anúncio feito por Macron.

Segundo fontes diplomáticas, Macron vinha demonstrando intenção de fazer o reconhecimento desde o início do ano, como forma de manter viva a proposta de uma solução de dois Estados. A decisão estava inicialmente atrelada a uma conferência da ONU que seria organizada em junho, em parceria com a Arábia Saudita, mas o evento foi adiado após o agravamento das tensões entre Israel e Irã.

A conferência foi remarcada como um evento ministerial nos dias 28 e 29 de julho, com uma nova rodada prevista para ocorrer à margem da Assembleia Geral da ONU, em setembro. A antecipação do anúncio, segundo diplomatas franceses, visa criar impulso para que outros países considerem aderir ao reconhecimento.

O gesto da França gerou resistência entre aliados como o Reino Unido e o Canadá, que têm se mostrado cautelosos diante da iniciativa. Representantes de cerca de 40 chancelerias estarão em Nova York na próxima semana para discutir o tema.

Israel, por sua vez, pressionou nos bastidores para tentar barrar a decisão francesa, ameaçando reduzir o compartilhamento de inteligência com Paris e até mesmo cogitando anexações na Cisjordânia, segundo fontes próximas ao governo israelense.

Desde o ataque do grupo Hamas contra Israel em outubro de 2023, Israel mantém uma ofensiva militar em Gaza, argumentando que qualquer reconhecimento estatal neste momento seria equivalente a recompensar os militantes.

Em resposta ao anúncio, o vice-presidente da Autoridade Palestina, Hussein Al Sheikh, agradeceu à França, afirmando que a decisão reflete o compromisso com o direito internacional e o apoio à autodeterminação do povo palestino.

 

Com informações da Reuters.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.