Conteúdos virais nas redes incentivam práticas de risco e atingem jovens
Vídeos nas redes sociais têm apresentado transtornos alimentares como um suposto “estilo de vida”, disfarçando comportamentos de risco como práticas de disciplina e bem-estar. O conteúdo, identificado em plataformas como Instagram e TikTok, preocupa especialistas, que alertam para o aumento de casos entre crianças e adolescentes e para os impactos graves à saúde física e mental.
A prática não é nova, mas ganhou nova roupagem. Nos anos 2000, conteúdos sobre anorexia e bulimia circulavam em blogs e fóruns de forma mais restrita. Hoje, aparecem em vídeos virais com estética moderna, linguagem motivacional e aparência de conteúdo fitness, o que facilita a disseminação e o alcance, principalmente entre o público jovem.
Especialistas apontam que muitos desses vídeos ensinam comportamentos prejudiciais, como longos períodos sem alimentação, restrição extrema de calorias e métodos perigosos de controle de peso. Em alguns casos, os conteúdos são apresentados por pessoas que se identificam como profissionais da área da saúde, o que aumenta a credibilidade e o risco para quem consome esse material.
Outro ponto de alerta é o uso indevido de medicamentos para emagrecimento, as chamadas “canetas emagrecedoras”. Médicos relatam que pessoas sem sobrepeso têm utilizado esses recursos para reduzir ainda mais a ingestão alimentar, prática associada a quadros de anorexia e outras complicações clínicas.
Apesar de as plataformas afirmarem que não permitem conteúdos que incentivem transtornos alimentares, especialistas destacam que o material continua circulando com facilidade. O cenário reforça a necessidade de atenção de pais, educadores e usuários para identificar sinais de risco e buscar orientação profissional adequada.