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Vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, sofre impeachment

Duterte é acusada de conspiração para assassinar o presidente, corrupção e falha em lidar com a China em disputas territoriais; processo reflete a crescente cisão política com Ferdinand Marcos Jr.

06 de Fevereiro de 2025
Foto: Ted Aljibe/AFP

A vice-presidente das Filipinas, Sara Duterte, foi alvo de um impeachment na quarta-feira (5), enfrentando uma série de acusações graves, incluindo conspiração para assassinar o presidente Ferdinand Marcos Jr., corrupção em grande escala e falhas em lidar com as disputas territoriais no Mar da China Meridional. A decisão, tomada pela Câmara dos Deputados, onde muitos membros são aliados de Marcos Jr., representa mais um capítulo na crescente cisão política entre os dois líderes. 

A petição de impeachment, apoiada por 215 membros da Câmara, será encaminhada ao Senado para julgamento. Entre os signatários estava o filho do presidente, o deputado Sandro Marcos. A queixa alega que o comportamento de Duterte ao longo de seu mandato demonstra "grande infidelidade contra a confiança pública" e um "abuso tirânico de poder". A petição pede a remoção de Duterte do cargo e a proibição de ocupação de futuros cargos públicos. 

Duterte, por sua vez, não comentou sobre o impeachment, mas seu irmão, o deputado Paolo Duterte, criticou a medida como "perseguição política". Ele acusou legisladores rivais de levar ao Senado um "caso de impeachment sem fundamento". 

A vice-presidente também fez acusações contra Marcos, sua esposa e o presidente da Câmara, Martin Romualdez, incluindo acusações de corrupção e falhas na liderança, além de sugerir que Marcos estaria tentando sabotar sua carreira política, especulando sobre sua possível candidatura à presidência em 2028. 

Tanto Sara Duterte quanto o presidente Marcos Jr. vêm de dinastias políticas poderosas nas Filipinas. Marcos Jr. assumiu a presidência em 2022, estreitando laços com os Estados Unidos, enquanto sua vice, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte, manteve relações mais próximas com a China e a Rússia. A aliança que formaram durante a campanha rapidamente se desgastou após a posse. 

As acusações contra Duterte incluem uma ameaça de morte que ela teria feito contra Marcos e outros membros do governo, alegações de uso indevido de fundos de inteligência e enriquecimento ilícito. Além disso, Duterte foi acusada de não declarar sua fortuna, conforme exigido por lei, e de falhar em lidar com a crescente pressão chinesa sobre as Filipinas no disputado Mar da China Meridional. 

A situação reflete a crescente tensão política entre os dois líderes e coloca em questão o futuro da vice-presidente nas Filipinas. 

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