Um estudo publicado no Journal of Quaternary Science revelou evidências que indicam a presença de uma população humana na área muito antes do que se acreditava — possivelmente ainda no fim da última Era do Gelo, há cerca de 11 mil anos.
Novas descobertas na Ilha de Skye, no extremo noroeste da Escócia, estão desafiando antigas suposições sobre quando os primeiros humanos se estabeleceram na região. Um estudo publicado no Journal of Quaternary Science revelou evidências que indicam a presença de uma população humana na área muito antes do que se acreditava — possivelmente ainda no fim da última Era do Gelo, há cerca de 11 mil anos.
Até recentemente, a comunidade científica acreditava que o clima hostil da Escócia no período pré-Holoceno impedia ocupações permanentes. Mas agora, ferramentas de argila cozida e estruturas circulares de pedra encontradas submersas sugerem que grupos humanos não apenas visitaram, mas viveram ali por períodos prolongados.
Segundo o Science Alert, os arqueólogos localizaram os artefatos em uma planície hoje coberta pelo mar, visível por apenas duas a três horas ao ano, durante a maré da primavera. Para acessar os círculos de pedra — que medem entre 3 e 5 metros de diâmetro —, os pesquisadores precisaram utilizar snorkel. Eles acreditam que a área estava acima do nível do mar há cerca de 11 mil anos, reforçando a hipótese de uma ocupação humana anterior ao Holoceno.
As ferramentas encontradas apresentam características semelhantes às da cultura Ahrensburg, do norte da Europa, especialmente da Alemanha. Embora não tenham sido obtidas datas precisas por radiocarbono — devido à ausência de materiais orgânicos —, a combinação dos achados e de modelos climáticos fortalece a tese de que uma população razoável viveu ali em tempos remotos.
Descobertas semelhantes de círculos de pedra já foram feitas na Noruega, com datações entre 10.400 e 11 mil anos. Isso levanta a possibilidade de que populações humanas tenham cruzado o mar do Norte, possivelmente por pontes naturais de terra ou gelo, ou durante marés extremas, quando o nível da água era mais baixo.