Montadora japonesa registra alta de 34% no lucro trimestral, eleva projeções para 2026 e aposta na força dos veículos híbridos para enfrentar a concorrência chinesa.
As ações da Toyota dispararam quase 17% na Bolsa de Tóquio nesta quinta-feira (5), registrando a maior valorização em um único pregão desde outubro de 1987. O avanço aconteceu após a maior fabricante de automóveis do mundo anunciar resultados financeiros acima das expectativas e elevar sua projeção de lucro anual. O desempenho foi impulsionado pela desvalorização do iene, pelo aumento da procura por veículos híbridos nos Estados Unidos e pela expectativa de redução das tarifas americanas sobre automóveis importados.
No terceiro trimestre de 2026, entre julho e setembro, o lucro operacional da montadora cresceu 34%, alcançando 1,13 trilhão de ienes, aproximadamente R$ 39 bilhões. Foi o primeiro crescimento trimestral do lucro em seis trimestres. Com o resultado positivo, a Toyota aumentou em 500 bilhões de ienes sua previsão de lucro operacional para o ano fiscal que termina em março de 2027, passando de 3,4 trilhões para 3,9 trilhões de ienes, cerca de R$ 134 bilhões. A empresa também ampliou seu programa de recompra de ações de 1 trilhão para 1,3 trilhão de ienes, equivalente a aproximadamente R$ 45 bilhões.
A valorização das ações apagou as perdas acumuladas pela empresa ao longo do ano e representou seu melhor desempenho diário em quase quatro décadas. O último avanço dessa magnitude havia ocorrido em outubro de 1987, quando os mercados financeiros se recuperavam após a crise conhecida como Segunda-feira Negra. Além dos resultados financeiros, investidores reagiram positivamente às expectativas de mudanças na política comercial americana após as eleições legislativas nos Estados Unidos, que ampliaram o poder dos democratas no Congresso.
Apesar dos números positivos, a Toyota ainda enfrenta dificuldades no mercado internacional. Nos primeiros nove meses de 2026, as vendas globais da companhia recuaram 3,4%, totalizando aproximadamente 7,5 milhões de veículos. A queda foi influenciada principalmente pela retração do mercado chinês, onde fabricantes locais de carros elétricos vêm aumentando a concorrência. Em contrapartida, a América do Norte apresentou crescimento de 1,1% nas vendas, enquanto o resultado operacional da região voltou ao campo positivo, apoiado pela demanda por modelos híbridos.
Para enfrentar as montadoras chinesas, a Toyota anunciou mudanças em sua estratégia de produção e na relação com fornecedores. A companhia pretende priorizar componentes e tecnologias mais competitivos, independentemente da nacionalidade das empresas responsáveis pela fabricação. O vice-presidente executivo Yoichi Miyazaki afirmou que a escolha dos fornecedores será baseada na qualidade e na competitividade dos produtos, sinalizando uma possível ampliação da participação de empresas chinesas nas cadeias internacionais de suprimentos.
Nos Estados Unidos, a montadora planeja expandir a produção doméstica de veículos híbridos e ampliar o uso de robôs nas fábricas para reduzir custos e enfrentar a alta das despesas trabalhistas. A estratégia também contempla o aproveitamento de conhecimentos adquiridos na China para modernizar fornecedores do Japão e do Sudeste Asiático. Para os mercados emergentes, a empresa pretende desenvolver uma arquitetura compartilhada para veículos menores, permitindo ganhos de escala e preços mais competitivos diante dos fabricantes chineses.
Outra novidade anunciada nesta quinta-feira foi a criação de uma empresa voltada à robótica e à automação industrial. A iniciativa busca acelerar a modernização das linhas de montagem e desenvolver novas fontes de receita além da fabricação de automóveis. Com os resultados positivos, a Toyota reforça sua aposta nos veículos híbridos e na eficiência industrial como caminhos para manter sua liderança mundial em um setor cada vez mais competitivo.