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Albert Ramdin, ministro do Suriname, é eleito secretário-geral da OEA

Ministro das Relações Exteriores do Suriname assume a Secretaria-Geral da organização até 2030

10 de Marco de 2025
Foto: REUTERS / Julio-Cesar Chavez

Na Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta segunda-feira (10), os representantes dos países-membros elegeram, por aclamação, o ministro das Relações Exteriores do Suriname, Albert Ramdin, como novo secretário-geral da entidade. O evento ocorreu na sede da OEA, em Washington. 

Apoiado pelo Brasil e por outros países, Ramdin substitui o uruguaio Luís Almagro, que esteve à frente da organização entre 2015 e 2025 e não poderia concorrer à reeleição. O mandato de Ramdin, que terá duração até 2030, poderá ser renovado até 2035. O diplomata surinamês traz mais de 25 anos de experiência em negociações internacionais, incluindo uma passagem como secretário-geral assistente da OEA de 2005 a 2015, além de sua atuação no setor de mineração em nível internacional. 

A eleição de Ramdin se deu após a retirada da candidatura do chanceler do Paraguai, que havia sido apresentada anteriormente. Com isso, o candidato do Suriname foi o único na disputa. Também se especulava que a Costa Rica pudesse lançar um candidato em parceria com os Estados Unidos, mas essa proposta não se concretizou. Esta é a primeira vez que um representante do Caribe assume o comando da OEA. 

Ao comentar sobre a eleição, a chefe da delegação brasileira, embaixadora Maria Laura da Rocha, fez críticas à gestão do ex-secretário-geral Luís Almagro e ressaltou a necessidade de um novo direcionamento para a OEA. “Em vez de se resguardar a independência e os canais de comunicação, com todos os lados em situações de tensões internas, não raras vezes, tomou-se partido em disputas internas, gerando efeito contrário ao pretendido. A defesa da democracia, tema tão importante, não raro foi objeto de seletividade política. Com isso, a OEA perdeu legitimidade e relevância”, afirmou Maria Laura. 

O ex-secretário-geral Almagro foi acusado de interferir no golpe de Estado na Bolívia, em 2019, e de tomar partido em disputas envolvendo a Nicarágua e a Venezuela, gerando críticas por uma postura considerada alinhada aos interesses dos Estados Unidos. A embaixadora Maria Laura também expressou a expectativa do Brasil de que o novo secretário-geral da OEA seja uma figura “agregadora”, que promova o diálogo e reabra os canais de comunicação entre todos os lados. 

O representante dos Estados Unidos, Michael Kozak, elogiou o trabalho de Almagro na OEA, mas também criticou os governos da Venezuela, Cuba e Nicarágua, que ele considera “ameaças que precisam chegar ao fim”. Kozak declarou que espera um hemisfério ocidental estável, comprometido com valores como liberdade de expressão e prosperidade econômica, além de questões como imigração legal. Ele também enfatizou que os Estados Unidos continuarão a apoiar as reformas da OEA para promover a democracia no continente. “Pedimos que o secretário-geral promova esse compromisso da OEA para fortalecer a democracia sempre que possível. Isso significa exigir ações mais robustas contra regimes opressivos, além de pedir que os processos eleitorais sejam livres e transparentes”, acrescentou Kozak. 

Embora tenha sido eleito por aclamação, a candidatura de Ramdin enfrentou resistência de última hora por parte do Paraguai, que lamentou a perda de apoio de países sul-americanos. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, expressou em nota a surpresa com a decisão de países amigos da região de retirar seu apoio à candidatura paraguaia. 

Na véspera da eleição, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia e Uruguai manifestaram seu apoio a Albert Ramdin, que também contou com o respaldo dos países membros da Comunidade dos Países Caribenhos (Caricom). O Ministério das Relações Exteriores do Brasil considerou a decisão como um “passo significativo da região na direção da unidade, no atual contexto geopolítico”, e destacou que a liderança de Ramdin representa uma oportunidade histórica para o Caribe assumir a liderança desse importante espaço de integração hemisférica. 

A OEA, que reúne 32 países das Américas, é a principal entidade multilateral do continente e foi fundada em 1948 como um organismo regional das Nações Unidas (ONU). Segundo o Artigo 1º da Carta da OEA, a organização visa “promover a solidariedade, intensificar a colaboração e defender a soberania, a integridade territorial e a independência” dos seus estados-membros, buscando uma “ordem de paz e de justiça” para as Américas. 

 

Com informações da Agência Brasil.

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