Dados do Inpe revelam tendência de alta e colocam 2025 sob risco ambiental
O desmatamento na Amazônia voltou a preocupar autoridades e ambientalistas. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área sob alertas de desmate na região cresceu 91% em maio, totalizando 960 km². Este é o segundo pior índice da série histórica para o mês, ficando atrás apenas de maio de 2021, quando foram registrados 1.390 km².
O aumento expressivo já pressiona a taxa oficial de desmatamento de 2025, que será medida com base no período de agosto de 2024 a julho deste ano. Até agora, no acumulado de dez meses, o desmatamento cresceu 9,7% em relação ao mesmo intervalo anterior, passando de 3.191 km² para 3.502 km².
A tendência de alta não é recente. Em abril, o mesmo sistema Deter, que fornece alertas diários para apoiar ações de fiscalização, já havia apontado uma elevação de 55% nos alertas. O índice oficial, porém, é calculado pelo Prodes, que utiliza imagens de maior precisão para medir o desmatamento consolidado.
O estado de Mato Grosso lidera o crescimento do desmatamento em maio, com um salto de 237% na área afetada: de 186 km² para 627 km². A prática do “correntão”, em que grandes máquinas arrastam correntes para derrubar vastas áreas de vegetação em pouco tempo, é apontada como uma das causas para esse avanço.
Outros estados também registraram aumento. No Amazonas, a área desmatada subiu 22% (de 117 km² para 143 km²), e no Pará, o crescimento foi de 5% (de 138 km² para 145 km²). Em abril, o Ibama realizou a maior operação remota de sua história, embargando mais de 70 mil hectares distribuídos por 5 mil propriedades na Amazônia.
Enquanto a Amazônia vê os números crescerem, o Cerrado apresentou melhora em maio. O bioma registrou uma redução de 15% na área sob alerta, somando 885 km² no mês. No acumulado de agosto até maio, a queda chega a 22%, com os números passando de 5.908 km² para 4.583 km².
Especialistas alertam que o avanço do desmatamento na Amazônia pode comprometer metas climáticas, aumentar a emissão de gases de efeito estufa e afetar diretamente o equilíbrio hídrico do país. As mudanças também impactam comunidades tradicionais e populações indígenas que vivem da floresta.
O governo federal tem reforçado o discurso de combate ao desmatamento, mas os dados indicam que os desafios seguem enormes. A demora na responsabilização dos infratores e a fragilidade na fiscalização em áreas remotas continuam sendo obstáculos enfrentados pelos órgãos ambientais.
Com os números de maio, cresce a preocupação com o resultado da taxa oficial de desmatamento de 2025. Caso a tendência de alta se mantenha, o Brasil pode ver retrocessos importantes em sua política ambiental, o que também compromete acordos internacionais de preservação e sustentabilidade.
Diante desse cenário, ambientalistas cobram medidas mais rigorosas, como o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, ampliação das áreas protegidas e o combate efetivo às práticas ilegais que impulsionam a destruição da floresta.