Companhia cortou cerca de 3% da operação prevista para julho; ajuste pode continuar ao longo do terceiro trimestre.
A Latam Brasil reduziu a oferta de voos em junho e deve repetir a medida em julho, com corte de cerca de 3% na operação planejada para o mês. Segundo o presidente-executivo da companhia, Jerome Cadier, a decisão foi motivada pelo aumento dos custos com combustível, pressionado pela guerra no Irã.
Em entrevista à Reuters durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo, realizada no Rio de Janeiro, Cadier afirmou que os ajustes podem continuar ao longo do terceiro trimestre.
Apesar da redução na malha, a companhia mantém previsão de crescimento em relação a 2025. A expectativa inicial era ampliar a capacidade em 11%, mas o ritmo de expansão deve ser menor do que o planejado originalmente.
A Azul também anunciou recentemente que está intensificando cortes na oferta de voos por causa da alta do querosene de aviação. Segundo o presidente-executivo da empresa, John Rodgerson, a companhia continuará reduzindo operações para preservar caixa em meio ao cenário de incerteza.
Rodgerson afirmou que as maiores empresas do setor vêm ajustando a capacidade para alinhar melhor a oferta à demanda diante de custos mais elevados. A Azul deve seguir a mesma estratégia e ampliar os cortes caso o conflito no Oriente Médio continue pressionando os preços.
O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, o combustível representa cerca de 45% do custo operacional do setor.
No fim de maio, o governo renovou subsídios para o insumo. Já no início de junho, a Petrobras anunciou redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação para distribuidoras, equivalente a queda de R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.
A pressão sobre os combustíveis também afeta companhias aéreas em outros países. Empresas europeias começaram a reajustar tarifas e cortar voos após a alta do querosene de aviação provocada pelo conflito no Oriente Médio.
A companhia escandinava SAS cancelou centenas de voos e anunciou aumento temporário nas tarifas para compensar os custos. Outras empresas, como Air France-KLM e Lufthansa, também enfrentam pressão, embora parte do impacto seja reduzida por contratos de compra antecipada de combustível a preços fixos.
Nos Estados Unidos, os gastos das companhias aéreas com combustível também dispararam. Segundo informações da Reuters, os custos aumentaram 78% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, chegando a quase US$ 6,5 bilhões.
O cenário reforça a pressão sobre o setor aéreo global, que tenta equilibrar custos mais altos, oferta de voos e demanda dos passageiros em meio à instabilidade internacional.