Previsão do Inmet aponta menos chuva, calor acima da média e risco de focos de calor.
O Amazonas deve registrar chuvas abaixo da média e temperaturas acima do esperado durante o mês de julho, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgada na quarta-feira (1º). O cenário ocorre em meio à consolidação do fenômeno El Niño e aumenta o risco de focos de calor no estado, além de impactos sobre o solo, a vegetação e atividades produtivas.
De acordo com o Inmet, as temperaturas devem ficar, em média, pelo menos 1°C acima do esperado para o período. A combinação entre redução das chuvas e calor mais intenso diminui a umidade e o armazenamento de água no solo, o que pode afetar culturas agrícolas, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações.
"Como consequência, poderá ocorrer redução do armazenamento de água no solo, afetando culturas em desenvolvimento, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações, além de aumentar o risco de ocorrência de focos de calor", informou o instituto.
A meteorologista Andrea Ramos explicou que a baixa umidade, associada às temperaturas elevadas, favorece a propagação de incêndios florestais. “Essa combinação acelera a perda de umidade do solo, reduz o armazenamento de água disponível para a vegetação e cria condições mais favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais. É importante destacar que o fogo depende de uma fonte de ignição, mas as condições meteorológicas tornam sua propagação muito mais rápida e intensa”, explicou.
Segundo a especialista, a redução das chuvas nesta época do ano está ligada à menor disponibilidade de umidade na atmosfera. "Com menor disponibilidade de umidade, a formação de nuvens e de precipitação torna-se menos frequente, enquanto a maior incidência de radiação solar favorece a elevação das temperaturas", disse.
Para os próximos meses, os modelos climáticos indicam probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño pelo menos até o início de 2027. O Inmet também aponta alta possibilidade de um El Niño muito forte entre a primavera e o verão de 2026, com chuvas abaixo da média no centro-norte do país, incluindo a Amazônia, e temperaturas acima da média no segundo semestre.
O alerta ocorre após um histórico recente de seca e queimadas no Amazonas. Em 2024, o estado registrou o maior número de focos de calor desde 1998, com 21.612 focos entre 1º de janeiro e 23 de setembro. Naquele ano, os 62 municípios decretaram situação de emergência por causa da estiagem e das queimadas, que afetaram mais de 460 mil pessoas.