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Amazonas tem terceiro menor rendimento e desigualdade recua ao menor nível histórico

Os 10% da população brasileira com os maiores rendimentos recebem 13,4 vezes o que ganham os 40% da população com os menores rendimentos.

08 de Maio de 2025
Foto: Divulgação

O estado do Amazonas registrou o terceiro menor rendimento mensal real domiciliar per capita do país em 2024, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE. Com valor médio de R$ 1.231, o estado ficou atrás apenas do Maranhão (R$ 1.078) e do Ceará (R$ 1.210), evidenciando as desigualdades regionais ainda existentes no Brasil.

Apesar da posição entre os estados com menor rendimento, o Amazonas acompanha a tendência nacional de redução da desigualdade. O país registrou, em 2024, a menor diferença entre os mais ricos e os mais pobres desde 2012. A razão entre os 10% da população com maiores rendimentos e os 40% mais pobres caiu para 13,4 vezes, a menor da série histórica.

O índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, também caiu para 0,506, o menor nível desde o início da série histórica. Essa queda reflete o crescimento mais intenso da renda entre os grupos mais pobres, o que beneficia estados como o Amazonas, onde grande parte da população está nos percentis de menor rendimento.

O rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil atingiu R$ 2.020 em 2024, com alta de 4,7% frente a 2023. No entanto, regiões como o Norte, da qual o Amazonas faz parte, ainda apresentam valores abaixo da média nacional. No recorte por regiões, o Nordeste teve o menor valor (R$ 1.319), seguido pela Região Norte.

O rendimento médio de todas as fontes no país foi de R$ 3.057 em 2024. No Amazonas, esse número é puxado para baixo pelas dificuldades estruturais, como o acesso desigual ao mercado formal de trabalho e a dependência maior de programas sociais e aposentadorias.

Mesmo com esses desafios, o número de amazonenses com algum tipo de rendimento cresceu, acompanhando a tendência nacional. O país atingiu o maior contingente de pessoas com renda desde 2012: 143,4 milhões. Desses, 101,9 milhões têm rendimento do trabalho e 29,2 milhões recebem aposentadoria ou pensão.

A participação do rendimento do trabalho na composição da renda domiciliar per capita aumentou de 74,2% para 74,9%, reflexo da melhora do mercado de trabalho. Essa mudança tem impacto direto sobre estados como o Amazonas, onde o trabalho informal ainda é uma realidade significativa.

O valor médio dos programas sociais no país chegou a R$ 836, e o número de beneficiários subiu de 18,6 milhões em 2023 para 20,1 milhões em 2024. No Amazonas, onde a dependência desses benefícios é historicamente alta, esse reforço tem papel importante na redução da desigualdade local.

Para o analista do IBGE Gustavo Fontes, os avanços nos rendimentos das camadas mais pobres e o fortalecimento das políticas sociais explicam parte da melhora nos indicadores. “A redução da desigualdade é mais perceptível nas regiões onde havia maior concentração de pobreza, como o Norte e o Nordeste”, afirmou.

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