Amazonas

Amazônia abriga mais de seis mil onças-pintadas, revela estudo inédito

A densidade média observada foi de três onças a cada 100 km², com grandes variações dependendo do habitat

24 de Abril de 2025
Foto: Divulgação

Uma pesquisa inédita publicada na revista Biological Conservation revelou que 22 áreas protegidas e terras indígenas na Amazônia abrigam uma população estimada de 6.389 onças-pintadas (Panthera onca). O levantamento foi realizado por cientistas de mais de 20 instituições, incluindo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O estudo usou armadilhas fotográficas e modelos estatísticos para mapear a densidade populacional da espécie em quatro países: Brasil, Peru, Colômbia e Equador, entre os anos de 2005 e 2020. A densidade média observada foi de três onças a cada 100 km², com grandes variações dependendo do habitat.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, lidera com quase dez onças por 100 km². Já a Reserva Biológica do Cuieiras, também no Amazonas, registra menos de uma onça na mesma área. A diferença está ligada à disponibilidade de presas e à riqueza do solo das várzeas em comparação aos igapós.

O estudo também mostrou que os machos são mais facilmente detectados, possivelmente por percorrerem maiores distâncias para acasalamento e defesa territorial. Outro fator de impacto é a pressão humana: em áreas degradadas, as onças precisam de até 30% mais território para sobreviver.

Apesar da estimativa positiva, o estudo acende um alerta para ameaças como desmatamento, incêndios, caça ilegal de presas e o tráfico de partes do animal. Só no Brasil, cerca de 1.500 onças foram deslocadas ou mortas nos últimos quatro anos pela perda de habitat.

Os pesquisadores recomendam mais investimentos em monitoramento contínuo e estratégias que integrem tecnologia com conhecimento indígena. A proteção de áreas críticas, como a interface Andes-Amazônia e várzeas do Rio Amazonas, é urgente diante da pressão de atividades ilegais como a mineração.

O ICMBio reforça a importância do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Pintada, que inclui o combate a crimes ambientais, o monitoramento da espécie e o turismo comunitário em áreas protegidas. Segundo o coordenador Ricardo Sampaio, é preciso fortalecer políticas públicas e equipes técnicas.

O caso recente de um homem atacado e morto por uma onça em Mato Grosso do Sul acendeu o debate sobre a convivência com esses felinos. A situação reforça a necessidade de educação ambiental e de estratégias que garantam segurança para humanos e animais em zonas de contato.

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