Rússia bombardeia mais de 70 cidades; Trump antecipa sanções e cobra cessar-fogo.
Ao menos 22 pessoas morreram e outras 85 ficaram feridas nesta terça-feira (29) em uma série de ataques da Rússia contra 73 cidades e vilarejos da Ucrânia. A ofensiva com drones ocorreu horas após um novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente russo, Vladimir Putin, exigindo o fim imediato da guerra.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, entre os alvos atingidos está um hospital na cidade de Kamianske, onde uma mulher grávida de 23 anos morreu, e uma colônia penal civil em Zaporizhia, que também foi bombardeada.
“Cada assassinato do nosso povo pelos russos, cada ataque russo, numa época em que um cessar-fogo poderia ter sido estabelecido há muito tempo, não fosse a recusa da Rússia, tudo isso demonstra que Moscou merece uma pressão de sanções muito dura, verdadeiramente dolorosa e, portanto, justa e eficaz. Eles devem ser compelidos a parar com a matança e fazer a paz”, escreveu Zelensky em publicação no X (antigo Twitter).
O presidente ucraniano agradeceu a Trump e a outros líderes internacionais pelos esforços de pressão, mas reforçou: “A paz é possível, mas somente quando a Rússia parar a guerra que começou e parar de atormentar nosso povo”.
Sanções em 12 dias
Durante um encontro com o premiê britânico, Keir Starmer, na Escócia, o presidente americano Donald Trump afirmou que ficou decepcionado com Putin e antecipou o prazo para o início das tarifas de 100% contra a Rússia, caso não haja cessar-fogo. O novo limite agora é de “10 ou 12 dias”, reduzido em relação aos 50 dias inicialmente previstos.
“Vou estabelecer um novo prazo, de uns 10 ou 12 dias. Não há motivo para esperar. Eram 50 dias, eu queria ser generoso, mas simplesmente não vemos nenhum progresso sendo feito”, afirmou Trump.
Além disso, ele anunciou novas ameaças de sanções secundárias contra países que continuem comprando petróleo russo. Apesar da rigidez, Trump disse: “Não queria fazer isso com a Rússia, amo o povo russo, um grande povo”.
Reações do Kremlin
Em resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as declarações de Trump são “muito sérias” e disse que o governo russo precisa de tempo para analisá-las detalhadamente.
“Algumas delas são dirigidas pessoalmente ao presidente Putin. Se e quando o presidente considerar necessário, ele comentará”, declarou Peskov.
Apoio militar à Ucrânia
Trump também confirmou o envio de sistemas Patriot e armas de ponta para a OTAN, que serão destinados à Ucrânia. Segundo ele, o acordo envolve “bilhões de dólares em equipamentos militares” a serem distribuídos rapidamente no campo de batalha.
“Estou muito decepcionado com Putin”, afirmou. “Putin sabe que é um acordo justo.”
Ele ainda disse que avalia aprovar um projeto de lei para impor tarifas de até 500% a países que continuem apoiando financeiramente a Rússia.