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Arte rupestre mais antiga do mundo é encontrada em caverna na Indonésia

Silhueta de mão tem ao menos 67,8 mil anos e reforça rota humana rumo à Austrália.

22 de Janeiro de 2026
Foto: Ahdi Agus Oktaviana / Reprodução

Uma silhueta de mão pintada na parede de uma caverna na Indonésia passou a ser considerada a arte rupestre mais antiga do mundo, superando em cerca de 15 mil anos um registro anterior localizado na mesma região. A imagem tem pelo menos 67,8 mil anos e foi identificada em uma caverna no sudeste da ilha de Sulawesi, a leste de Bornéu.

A marca foi encontrada na caverna de Liang Metanduno, na ilha de Muna, em um conjunto de pinturas já conhecido por arqueólogos. O que chamou atenção dos pesquisadores não foi o desenho em si, já que silhuetas de mãos existem em diversas partes do planeta, mas a idade confirmada por novos métodos de datação.

Até então, o registro mais antigo de arte rupestre era outra pintura em Sulawesi, descoberta em 2024 pelo mesmo grupo de pesquisa. Com o novo achado, os cientistas afirmam que será necessário rever não apenas datas ligadas à história da arte rupestre, mas também rotas de migração seguidas por grupos humanos antigos até a Austrália.

Para estimar a idade da pintura, os pesquisadores analisaram depósitos minerais formados naturalmente na rocha ao longo do tempo. Essas camadas, que se acumulam lentamente sobre as paredes das cavernas, permitiram delimitar a idade mínima da silhueta ao comparar o material formado antes e depois da pintura, chegando ao resultado de 67,8 mil anos.

O estudo indica ainda que a caverna de Liang Metanduno não foi usada apenas uma vez. As evidências apontam que o espaço serviu como local de produção artística por um período prolongado, com pinturas feitas ao longo de pelo menos 35 mil anos, até cerca de 20 mil anos atrás, sugerindo uma tradição cultural mantida por muitas gerações.

“Nossa nova fase de pesquisa mostra que Sulawesi abrigou uma das culturas artísticas mais antigas e ricas do mundo, com origens que remontam ao início da ocupação humana da ilha, há pelo menos 67,8 mil anos”, afirmou o arqueólogo e geoquímico Maxime Aubert, um dos líderes do estudo.

Além da idade, a silhueta apresenta um detalhe incomum: os contornos dos dedos foram alterados de forma intencional após a pintura original, ficando mais estreitos e dando à imagem aparência de uma garra. Segundo os pesquisadores, a modificação não parece acidental e sugere um significado simbólico, embora não seja possível afirmar qual.

A nova datação também reforça a hipótese de que os primeiros humanos chegaram à Austrália mais cedo do que parte dos estudos apontava. Durante décadas, pesquisadores se dividiram entre a ocupação iniciada há cerca de 50 mil anos e a hipótese de que ela começou há pelo menos 65 mil anos, quando a Austrália ainda fazia parte da massa continental conhecida como Sahul, que incluía também a Tasmânia e a Nova Guiné.

Para os autores do estudo, os grupos que produziram a arte em Sulawesi faziam parte de uma população maior que, ao longo de milhares de anos, se espalhou pelo Sudeste Asiático até alcançar Sahul. Os dados também ajudam a compreender por onde esses grupos podem ter passado, com duas rotas principais debatidas: uma ao norte, por ilhas como Sulawesi em direção à Nova Guiné, e outra ao sul, com travessias marítimas mais diretas para o norte da Austrália.

A presença de uma arte tão antiga em Sulawesi reforça a importância da rota norte nesse processo. A descoberta é resultado de um trabalho internacional liderado por cientistas da Griffith University, em parceria com a agência nacional de pesquisa da Indonésia (BRIN) e a Southern Cross University. Os dados foram publicados na revista científica Nature.

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