Cidade

Arte urbana transforma pipódromos de Manaus com oficina gratuita de lambe-lambe

Projeto mapeia brincadeiras com papagaio nas periferias e promove arte coletiva com moradores

19 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

Uma oficina gratuita de lambe-lambe será realizada no próximo domingo (20), às 16h, na Praça Mindu Norte, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte de Manaus. A atividade faz parte do projeto “De Cara Pro Céu”, que documenta, por meio da fotografia, a prática de empinar papagaio nas periferias da capital amazonense.

Destinada especialmente a crianças e adolescentes que brincam no pipódromo da região, a oficina será conduzida pela poeta Paloma Silva, do projeto Poetisa.te, e pelo artista visual Rafael Antônio, do coletivo Maniwara. Durante o encontro, os participantes irão aprender a técnica do lambe-lambe, manipular imagens e criar um painel visual coletivo em um dos muros da praça.

Idealizado pelo fotógrafo e pesquisador de Antropologia Visual Alonso Junior, o projeto é fruto de três anos de imersão em diferentes territórios periféricos de Manaus. A proposta busca valorizar a brincadeira com papagaio como expressão cultural e instrumento de construção comunitária.

A pesquisa teve início em 2022 e percorreu as zonas norte, leste, oeste, centro-oeste e centro-sul da cidade. Alonso visitou locais como a Arena LV, no Lírio do Vale, a balsa do São Raimundo e a Arena Banana, próxima ao Estádio Vivaldo Lima, registrando as dinâmicas sociais que se formam em torno da atividade.

(Foto: Divulgação)

Segundo o pesquisador, os pipódromos improvisados funcionam como espaços de convivência e troca. “A pipa é o motivo, mas o que acontece ali vai muito além: tem comunidade, tem respeito, tem pertencimento”, afirma Alonso.

Além do registro fotográfico, a pesquisa também coletou dados quantitativos, como a idade dos brincantes, estimativa de frequentadores, localização dos pipódromos e a presença de vendedores e fabricantes de papagaios. As diferenças estruturais entre os espaços também foram mapeadas.

A linguagem fotográfica adotada por Alonso foi inspirada por teóricos como Clifford Geertz e Bronis?aw Malinowski. Com cerca de 80 imagens, ele construiu uma narrativa que destaca os aspectos sociais, afetivos e urbanos da prática. O projeto resultará em um fotolivro e prevê a colagem de lambes com essas imagens nos próprios bairros visitados.

“Queremos devolver as imagens aos territórios onde foram feitas. É um gesto simbólico de reconhecimento e valorização das vivências locais”, diz Alonso. O projeto foi contemplado pelo Edital nº 07/2023 da Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC/AM).

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