Artistas e parlamentares se unem em protesto musical com críticas a Bolsonaro.
A Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi palco de um dos maiores atos deste domingo (21), reunindo 41,8 mil pessoas no auge da mobilização contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o projeto de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O movimento, convocado por redes sociais, contou com artistas, parlamentares e milhares de manifestantes empunhando cartazes com palavras de ordem em defesa da democracia.
A PEC da Blindagem, já aprovada pela Câmara e agora em análise no Senado, tem sido criticada por limitar a possibilidade de abertura de ações penais contra deputados e senadores, o que, segundo opositores, enfraquece o combate à corrupção. Outro foco da mobilização foi o projeto de anistia, que acelera a tramitação de perdão a condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
O palco montado em Copacabana recebeu grandes nomes da música brasileira. Maria Gadú abriu a programação com a canção “Como Nossos Pais”, seguida por apresentações de Jorge Vercillo e Marina Sena, que emocionou o público ao interpretar “Brasil”, de Cazuza.
Por volta das 17h, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Djavan subiram juntos ao palco, vestindo roupas nas cores da bandeira nacional, verde, amarelo, azul e branco. O repertório incluiu sucessos como “Podres Poderes”, “Um índio” e “Desde que o Samba é Samba”, reforçando o tom político do ato.
Outras participações também marcaram a manifestação. Ivan Lins afirmou que “sem anistia” deve ser o lema até 2026, enquanto Lenine classificou a proposta como “a maior cara de pau da história” antes de cantar “Ideologia”. A cada fala, o público respondia com gritos de “Bolsonaro na prisão” e “sem anistia”.
A mobilização contou ainda com forte presença política. Estiveram no ato deputados federais como Chico Alencar, Henrique Vieira, Glauber Braga, Jandira Feghali e Benedita da Silva, além de parlamentares estaduais e vereadores ligados a partidos de esquerda, como PSOL, PT, PCdoB e PSB.
Apesar do clima festivo no palco, a manifestação terminou com registros de confusão em alguns pontos de Copacabana. Um grupo invadiu um restaurante na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e, próximo à Rua Júlio de Castilhos, manifestantes chegaram a subir no teto de um ônibus. Também houve tumulto e filas longas na estação General Osório do metrô por volta das 19h30.
O ato do Rio fez parte de uma mobilização nacional que também levou multidões às ruas de capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, João Pessoa, Maceió, Natal, Teresina, Belém, Manaus e Cuiabá. Em todas, a mensagem foi uníssona: rejeição à blindagem de parlamentares e ao perdão a golpistas condenados.