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Ativistas do veleiro Madleen são levados a Tel Aviv para repatriação

Interceptado por Israel ao tentar alcançar Gaza, grupo inclui Greta Thunberg e enfrenta acusações de violar bloqueio marítimo

10 de Junho de 2025
Foto: Chris Kebbon / Divulgação

Os ativistas pró-Palestina a bordo do veleiro Madleen, que foi interceptado por Israel enquanto se dirigia à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, foram transferidos nesta terça-feira (10) para o aeroporto de Tel Aviv, onde deverão ser repatriados, conforme anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel.

“Os que se recusarem a assinar os documentos de expulsão e a abandonar Israel serão apresentados a uma autoridade judicial, de acordo com a lei israelense, para que seja autorizada a sua expulsão”, informou o ministério na rede social X, acrescentando que os ativistas se encontraram no aeroporto com os cônsules dos seus países.

O Madleen, com 12 ativistas a bordo, entre eles a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, foi interceptado na manhã de segunda-feira (9), ao tentar romper o bloqueio israelense em direção a Gaza. A embarcação chegou na noite do mesmo dia ao porto israelense de Ashdod, escoltada por dois navios da Marinha de Guerra de Israel.

A Coligação da Flotilha da Liberdade (FFC, na sigla em inglês), responsável pela missão, confirmou que os ativistas estavam sob custódia israelense e que “poderiam ser autorizados a partir de Tel Aviv entre segunda-feira e hoje”.

“Continuamos a exigir a libertação imediata de todos os voluntários”, escreveu a organização na mesma plataforma, considerando que a detenção é “ilegal” e “viola o direito internacional”.

A bordo do Madleen estavam cidadãos da França, Alemanha, Brasil, Turquia, Suécia, Espanha e Holanda. O veleiro havia partido da Itália no dia 1º de junho com o objetivo de “romper o bloqueio israelense” à Faixa de Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária após mais de 20 meses de guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

O Exército israelense confirmou que o barco foi “interceptado” durante a noite, mas não especificou o local exato da operação.

“Como mostra este vídeo, fomos interceptados e raptados em águas internacionais”, afirmou Greta Thunberg numa mensagem de vídeo pré-gravada, divulgada pela FFC.

Imagens compartilhadas pela organização mostram os ativistas com coletes salva-vidas laranja, de mãos erguidas no momento da abordagem, alguns entregando os celulares conforme instruções recebidas. Outros lançaram os aparelhos ao mar pouco antes da interceptação.

Criada em 2010, a FFC é uma iniciativa internacional de apoio à população palestina, que combina ações humanitárias com protesto político contra o bloqueio à Faixa de Gaza.

Além de Greta Thunberg, estavam a bordo a eurodeputada franco-palestina de esquerda Rima Hassan e dois jornalistas.

Na segunda-feira (9), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou ter transmitido “todas as mensagens” a Israel para garantir a “proteção” dos seis cidadãos franceses a bordo e permitir seu retorno ao país. Macron também classificou o bloqueio humanitário a Gaza como um “escândalo”.

Em apoio aos ativistas, dezenas de milhares de pessoas protestaram na noite de segunda-feira em várias cidades francesas, em manifestações convocadas por partidos de esquerda.

A Turquia condenou a ação de Israel, classificando a operação como um “ataque odioso” e uma “violação flagrante do direito internacional”.

O episódio remete à flotilha internacional de 2010, que também partiu da Turquia com o objetivo de quebrar o bloqueio a Gaza. Na ocasião, uma operação militar israelense resultou na morte de dez ativistas a bordo.

Segundo as autoridades israelenses, o Madleen chegou a se aproximar da costa egípcia antes de seguir rumo a Gaza, desconsiderando os alertas de que tentativas de “quebrar o bloqueio marítimo” seriam impedidas, medida que Israel justifica como necessária para impedir o envio de armas ao Hamas.

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou Greta Thunberg e os demais ativistas de encenarem uma “provocação midiática com o único objetivo de se autopromover”.

Israel enfrenta crescente pressão internacional para encerrar a guerra em Gaza. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), os bombardeios destruíram grande parte do território palestino, e a população está em risco de fome extrema devido ao cerco e às restrições à entrada de ajuda humanitária.

 

Com informações da Lusa.

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