Ciência e Tecnologia

Barco científico parte em nova expedição para monitoramento da qualidade das águas no Amazonas

Pesquisadores investigam os impactos de microplásticos e mercúrio nos rios da bacia amazônica com apoio de diversas instituições

16 de Marco de 2025
Foto: Moisés Henrique / Ipaam

O Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM), com apoio do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), deu início na manhã deste sábado (15/03) a uma nova expedição científica. O barco de pesquisa Roberto dos Santos Vieira partiu do Rio Negro, no Centro de Manaus, com destino a Humaitá, a 590 quilômetros da capital. A expedição, que durará 12 dias, tem como foco investigar a qualidade da água dos rios e os impactos ambientais, com ênfase na presença de microplásticos e mercúrio. 

O programa conta com o apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), do Ministério Público Estadual (MPAM), do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e da empresa Atem. 

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, ressaltou a importância do projeto para a proteção ambiental do Amazonas, destacando o papel fundamental do instituto. "O Ipaam foi o parceiro inicial desse projeto e acreditou desde o início em uma proposta tão ousada quanto o monitoramento das bacias do Amazonas", afirmou Picanço, que também mencionou o apoio à construção do barco e à concepção dos equipamentos utilizados. 

Segundo Daniel Nava, gerente de Recursos Hídricos do Ipaam, os dados coletados durante a expedição serão analisados em laboratórios da UEA e da Universidade de Harvard. "O estudo do mercúrio é essencial para compreendermos os impactos ambientais e de saúde pública na região amazônica", explicou Nava. 

O coordenador do ProQAS/AM, professor Sergio Duvoisin Junior, da UEA, destacou a relevância da expedição no Rio Madeira como parte de um projeto de monitoramento mais amplo. Durante a expedição, os pesquisadores irão colaborar com a mestranda Naiana Lopes Ramos, da Universidade de Genebra, para investigar a presença de microplásticos na bacia do Rio Negro. Na volta, serão analisados 164 parâmetros de qualidade da água, com especial atenção ao mercúrio, cujas amostras serão levadas para Harvard. 

Naiana Lopes Ramos, que estuda os impactos dos microplásticos nos rios da Amazônia, alertou sobre a importância da conscientização para a redução do lixo plástico. "A separação do lixo é essencial para evitar que o plástico polua nossos rios e, eventualmente, os oceanos", disse a pesquisadora. 

A continuidade do monitoramento das bacias do estado é fundamental para o sucesso do ProQAS/AM. O professor Duvoisin enfatizou a necessidade de recursos para expandir o alcance do programa, que em breve começará a monitorar o Rio Solimões, com planos de avançar para outras regiões. 

Os dados coletados serão disponibilizados ao público conforme o Plano Estadual de Recursos Hídricos, com 164 parâmetros de qualidade da água sendo avaliados, dos quais 30 serão acessíveis publicamente.  

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