Maria Teresa Piedade é reconhecida por pesquisas na Amazônia há quase 50 anos.
A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade foi anunciada como vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026, a maior honraria da ciência brasileira. Pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ela atua há quase cinco décadas na região amazônica, com estudos voltados à ecologia de ecossistemas, especialmente áreas alagáveis e a dinâmica do pulso de inundação.
Ao longo da carreira, a cientista desenvolveu pesquisas sobre produção primária, balanço de carbono e ecofisiologia de espécies arbóreas e plantas aquáticas. Entre os destaques está o estudo que comprovou o papel do peixe-boi amazônico como dispersor de sementes, reforçando a importância do animal para os sistemas aquáticos da região. “Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável. Eu nunca imaginei que eu tivesse essa honraria atribuída pelos pares e pelo comitê, ao qual eu agradeço enormemente, porque eu vejo muitos dos laureados que me precederam e eles foram pessoas de grande importância e influência na minha carreira e vida”, afirmou.
Docente nos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica do INPA, a pesquisadora também lidera o grupo de estudos sobre áreas úmidas e foi responsável pela criação do Programa Ecológico de Longa Duração PELD Mauá. Os estudos conduzidos pelo grupo geram dados sobre biodiversidade, dinâmica de carbono e impactos das mudanças climáticas e ações humanas nesses ambientes. A cientista destaca que o equilíbrio hídrico da Amazônia influencia diretamente outras regiões do país, contribuindo para o regime de chuvas no Sul e Sudeste.
Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é concedido anualmente a pesquisadores com contribuições relevantes para o avanço científico e tecnológico do país, em sistema de rodízio entre áreas do conhecimento. Em 2026, a premiação contempla Ciências da Vida e será entregue no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, com diploma, medalha e valor de R$ 200 mil. A conquista reforça a relevância das pesquisas desenvolvidas na Amazônia e a necessidade de preservação dos seus ecossistemas.