Cultura

Boi de Rua do Caprichoso leva multidão às ruas

Cortejo azul e branco emocionou torcedores antes do Festival de Parintins 2026.

Por: Portal Amz em Pauta
21 de Junho de 2026
Foto: Divulgação / Caprichoso

Uma multidão vestida de azul e branco tomou conta das ruas de Parintins, na noite de sábado (20) e madrugada deste domingo (21), durante o tradicional Boi de Rua do Caprichoso. O cortejo, realizado antes da abertura oficial do Festival de Parintins 2026, reuniu torcedores de várias gerações na Ilha Tupinambarana e reforçou a ligação entre o bumbá e a cultura popular amazonense.

Criado em 2001, por proposta de João do Carmo, o Careca, então presidente do Conselho de Artes do Caprichoso, o Boi de Rua nasceu com a proposta de resgatar a tradição popular e “devolver o boi ao povo”. Com o passar dos anos, a manifestação se tornou um dos momentos mais aguardados no calendário que antecede as apresentações oficiais no Bumbódromo.

Morador do bairro da Francesa e integrante de uma família tradicional azulada, Robson Valente acompanhou o cortejo em frente à própria casa, na Rua Sá Peixoto, um dos redutos do Caprichoso em Parintins. “Todo ano é uma emoção diferente. Eu sempre falo: tenho 52 anos e são 52 anos vivendo isso. A emoção todo ano muda, basicamente aumenta mais a paixão, mais o amor pelo Caprichoso. Aqui é Caprichoso, aqui é Sá Peixoto, aqui é o reduto azul e branco. É uma satisfação imensa. Nossa família é tradicional no Caprichoso e isso sempre será eternizado”, disse.

Às vésperas da disputa oficial, Robson também destacou a expectativa para as apresentações. “A expectativa sempre é grande. Nosso boi sempre vem bonito. Mesmo que a gente perca, a gente sempre procura fazer o melhor espetáculo para todos os visitantes, porque o nosso boi tem compromisso com a cultura, o nosso boi tem compromisso com o Festival de Parintins. Isso é ser Caprichoso, é aprender a amar o Caprichoso”, afirmou.

O cortejo também foi marcado por reencontros e memórias afetivas. O manauara Marconi Barbosa, de 48 anos, retornou a Parintins após nove anos longe da ilha. Ele, que morou por duas décadas na cidade e trabalhou nos bastidores do boi-bumbá e do carnaval local, voltou acompanhado dos dois filhos para apresentar a eles a tradição azulada. “Viver tudo isso aqui é trazer o passado de volta. É um presente para mim, porque vivi muita coisa aqui. Trabalhei em boi, trabalhei em carnaval, e o Boi de Rua reacendeu de novo aquele momento lá atrás. É muito satisfatório viver tudo isso de novo. Quando saí daqui eu não tinha filhos e hoje voltei com dois. Trazer a minha família é reacender uma cultura que vivi no passado, fazer meus filhos conhecerem o que é o boi-bumbá, o que é o folclore e essa tradição de viver o boi azul”, destacou.

Durante o trajeto, o tripa oficial do Caprichoso, Edson Azevedo Jr., afirmou que o festejo representa uma forma de fortalecer o bumbá antes da entrada na arena. "O Boi de Rua é sensacional. Essa galera passa para nos desejar uma força incrível que nos dá força, nos dá coragem para chegar no Bumbódromo e representar essa galera que tanto faz pelo boi Caprichoso", afirmou.

A concentração dos brincantes começou às 20h, na Avenida Senador José Esteves, e a saída ocorreu pela Rua Sá Peixoto. Embalado pela Marujada de Guerra, o público seguiu pelas ruas da cidade em um trajeto que transformou Parintins em um bumbódromo a céu aberto. Os percursos se encontraram na Avenida Amazonas e seguiram pela Rua Cordovil até a Avenida Nações Unidas.

Com crianças nos ombros dos pais, famílias reunidas e torcedores vindos de diferentes cidades, o Boi de Rua do Caprichoso encerrou mais uma edição como celebração da identidade azulada. O cortejo também serviu como aquecimento para a disputa oficial do Festival de Parintins 2026, que promete movimentar a ilha com emoção, tradição e forte participação popular.

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