Mercado financeiro reage ao resultado das eleições presidenciais; B3 aciona mecanismo de segurança após queda de 10% no Ibovespa, enquanto contratos futuros registram perdas ainda maiores.
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou forte queda na manhã desta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Os contratos futuros do Ibovespa chegaram a recuar quase 17%, enquanto o principal índice do mercado à vista caiu 10%, provocando a suspensão temporária das negociações. A movimentação reflete a reação de investidores ao resultado eleitoral e às incertezas sobre os rumos da política econômica brasileira.
A B3 acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker logo após a abertura do pregão. O procedimento interrompe as negociações por 30 minutos quando o Ibovespa registra uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior. A medida busca conter oscilações extremas e permitir que os participantes do mercado reavaliem suas operações.
Segundo comunicado oficial da bolsa, a suspensão atingiu ações, fundos negociados em bolsa (ETFs), certificados de ações estrangeiras (BDRs), opções e determinados títulos de renda fixa privada. A retomada das operações foi programada por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35, no horário de Brasília.
No mercado futuro, a pressão foi ainda mais intensa. A B3 precisou ampliar duas vezes os limites de oscilação dos contratos do Ibovespa, inicialmente de 10% para 15% e, posteriormente, para 20%. Por volta das 10h10, o contrato com vencimento em dezembro apresentava desvalorização de 16,74%, sendo negociado a 173.260 pontos.
A reação ocorreu após a vitória de Lula nas eleições de domingo (25). De acordo com a Reuters, parte dos investidores havia se posicionado para uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de mudanças na condução da política fiscal e das contas públicas. Com a confirmação da reeleição do petista, agentes financeiros passaram a rever suas posições, ampliando a pressão sobre os preços dos ativos brasileiros.
Além da queda das ações, o mercado de câmbio também apresentou forte volatilidade. O real perdeu valor diante do dólar, enquanto os contratos futuros de juros registraram alta. A movimentação reflete preocupações dos investidores com o endividamento público, o controle das despesas governamentais e a condução da política econômica no próximo mandato.
Esta foi a primeira vez desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19, que o mecanismo de suspensão automática das negociações foi acionado na bolsa brasileira. Pelas regras da B3, caso o Ibovespa volte a cair e alcance uma desvalorização de 15%, uma nova interrupção poderá ser realizada, desta vez por uma hora. Se a queda chegar a 20%, a bolsa poderá determinar outra suspensão, conforme as condições do mercado.
A instabilidade também aumenta a atenção sobre os próximos anúncios do governo federal, especialmente em relação à equipe econômica e às medidas destinadas ao controle das contas públicas. Investidores acompanham os sinais que poderão indicar a direção da política fiscal e monetária nos próximos anos.