Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo só se pronunciará após medidas serem efetivamente implementadas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (10) que o governo brasileiro optou por aguardar uma decisão oficial dos Estados Unidos antes de se manifestar sobre o anúncio do presidente Donald Trump de novas tarifas sobre o aço. Em entrevista, Haddad declarou: “O governo tomou a decisão de só se manifestar, oportunamente, com base em decisões concretas, e não em anúncios que podem ser mal interpretados ou revistos. O governo vai aguardar a decisão oficialmente antes de fazer qualquer manifestação.”
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, que são o principal destino das exportações brasileiras de aço. Quando questionado sobre a possibilidade de o governo brasileiro adotar uma retaliação, como a taxação das grandes empresas de tecnologia, como Google, Meta e X, Haddad reafirmou que o governo aguardará a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a implementação das medidas pelos EUA.
Em entrevista a rádios mineiras na semana passada, o presidente Lula afirmou que o Brasil tem o direito de aplicar a lei da reciprocidade. "Para nós, o que seria importante seria os EUA baixarem a taxação e nós baixarmos a taxação. Mas, se ele e qualquer país aumentar a taxação do Brasil, nós iremos taxá-los também. Isso é simples e muito democrático”, destacou Lula.
Durante o seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas sobre o aço e alumínio, mas posteriormente concedeu cotas isentas de tarifas para parceiros como Canadá, México e Brasil, que são grandes fornecedores desses produtos. Dados da Administração de Comércio Internacional do governo dos EUA apontam que o Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço para o país em 2024, ficando atrás apenas do Canadá. De acordo com o Instituto do Aço Brasil, com base em dados oficiais do governo brasileiro, os EUA foram o principal destino do aço exportado pelo Brasil, representando 49% das exportações de aço do país em 2023.