Saúde

Brasil confirma quatro casos da nova gripe K e Ministério faz alerta

Doença não apresenta sintomas diferentes e vacina segue eficaz contra formas graves.

19 de Dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde confirmou quatro casos no Brasil do subclado K da gripe H3N2, após um semestre considerado atípico para a circulação do vírus. Uma das ocorrências foi registrada no Pará e está associada a viagem internacional, com análise feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os outros três casos ocorreram no Mato Grosso do Sul, com amostras processadas pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Em ambos os estados, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) identificaram o vírus e encaminharam o material para sequenciamento, dentro dos protocolos de vigilância.

Apesar da repercussão, especialistas afirmam que o subclado não altera o quadro clínico da doença. “Não há nenhum sintoma diferente ou característico desse subclado”, explica o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. “O quadro clínico é o de uma síndrome gripal típica.”

Segundo o diretor da mesma entidade, Juarez Cunha, também não houve mudança na duração da doença: “Em geral, os sintomas duram de três a sete dias, como ocorre em outras gripes. Até o momento, não há indicação de que esse vírus provoque quadros mais prolongados.”

Os especialistas reforçam que o comportamento clínico depende do paciente, não do subtipo do vírus. “Existem pessoas que têm quadros leves e outras que evoluem com sintomas mais importantes, independentemente do subtipo”, afirma Cunha. Febre alta, falta de ar, cansaço intenso, piora clínica e prostração são sinais de alerta, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com comorbidades.

De acordo com Kfouri, testes rápidos ajudam a confirmar influenza e antecipar o início do antiviral, o que reduz risco de gravidade e complicações.

O que se sabe sobre a gripe K

O Ministério da Saúde reforça que não se trata de uma nova doença, mas de uma variante da influenza A (H3N2). Até o momento:

• não há mudança de sintomas;

• não há evidências de maior gravidade;

• antivirais continuam eficazes;

• grupos de risco permanecem os mesmos;

• a vacina disponível protege contra formas graves;

• países como Austrália e Nova Zelândia não registraram aumento de mortes ligadas ao subclado;

• a principal diferença observada foi o alongamento da temporada de gripe.

Vigilância reforçada

A intensificação do monitoramento ocorre após alerta da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), que apontaram aumento de casos e internações por gripe associadas ao subclado K no hemisfério norte.

No Brasil, a vigilância é feita por meio do acompanhamento de síndrome gripal, síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e investigações imediatas de eventos inesperados, com foco em diagnóstico precoce e acesso a antivirais.

O Ministério da Saúde ressalta que o SUS oferece vacina capaz de evitar quadros graves relacionados ao subclado K e reforça a importância da imunização, sobretudo entre públicos prioritários, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A pasta alerta que a baixa adesão à vacinação contribui para a maior circulação do vírus.

Além da vacina, o SUS disponibiliza antiviral específico para o tratamento da gripe. A orientação é buscar atendimento médico aos primeiros sinais de sintomas e manter medidas preventivas, como uso de máscara se estiver gripado, higienização das mãos e ventilação dos ambientes.

O ministério afirma que continuará acompanhando o cenário nacional e internacional e reforça que a vacinação permanece como principal estratégia para reduzir internações e evitar desfechos graves da doença.

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