Economia

Brasil consegue reunião com EUA e atrai China para novo diálogo comercial

Washington aceitou pedido de consultas apresentado pelo governo brasileiro à OMC, enquanto Pequim solicitou participação nas discussões sobre as tarifas adicionais.

Por: Portal Amz em Pauta
11 de Agosto de 2026
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos responderam na última segunda-feira (10) ao pedido apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas adicionais impostas a produtos brasileiros. O governo norte-americano informou estar disposto a participar das consultas solicitadas pelas autoridades brasileiras e sinalizou abertura para a realização de uma reunião em data que seja considerada adequada pelas duas partes.

Na manifestação encaminhada ao Brasil, os Estados Unidos aceitaram formalmente o pedido de consultas e afirmaram estar preparados para iniciar o diálogo. “Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil para participar das consultas. Estamos prontos para dialogar com as autoridades da sua missão em uma data mutuamente conveniente para consultas”, declarou o governo norte-americano.

O Brasil recorreu ao sistema de solução de controvérsias da OMC para contestar as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. No documento enviado à entidade, o governo brasileiro apresentou seus argumentos sobre as tarifas e mencionou também as justificativas norte-americanas de que os Estados Unidos estariam recebendo tratamento discriminatório por parte do Brasil nas relações comerciais.

O pedido de consultas corresponde à primeira etapa formal do mecanismo de solução de disputas da Organização Mundial do Comércio. Nesse período, os países envolvidos tentam alcançar um entendimento por meio de negociações diretas. Caso não haja acordo, o processo poderá avançar para a criação de um painel responsável por analisar tecnicamente a controvérsia.

A manifestação brasileira foi apresentada à OMC em 27 de julho. No documento, o governo argumentou que as tarifas adicionais estabelecidas pelos Estados Unidos seriam incompatíveis com normas internacionais do comércio. Segundo o Brasil, “as medidas em questão parecem ser inconsistentes com as obrigações dos EUA sob o Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994”.

O Acordo Geral de Tarifas e Comércio, conhecido pela sigla GATT, estabelece parte das principais regras utilizadas pelos integrantes da OMC para aplicação de tarifas e tratamento comercial entre os países. O governo brasileiro também sustenta que o país estaria sendo colocado em situação desfavorável pelos Estados Unidos quando comparado a outros membros da organização nas relações comerciais.

A disputa também despertou o interesse da China, maior parceira comercial do Brasil. Autoridades chinesas enviaram uma manifestação relacionada ao mesmo processo e solicitaram autorização para participar das consultas entre brasileiros e norte-americanos. Segundo Pequim, o país possui “um interesse comercial substancial nessas consultas”, especialmente porque medidas semelhantes dos Estados Unidos também atingem produtos chineses.

No documento, a China argumentou que as tarifas adicionais norte-americanas afetam suas exportações destinadas aos Estados Unidos, com exceção de produtos que possuem isenções específicas, e interferem nas condições de concorrência dos itens chineses no mercado norte-americano. Diante desse impacto, Pequim pediu formalmente autorização para integrar as consultas relacionadas à disputa apresentada pelo Brasil, ampliando a dimensão internacional das discussões sobre as medidas comerciais adotadas por Washington.

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