Economia

Brasil deve crescer 2,4% em 2025, acima da média da América Latina

Projeção do Banco Mundial repete estimativa de junho e supera previsões do Banco Central e do mercado.

07 de Outubro de 2025
Foto: Marcello Casal / JrAgência Brasil

A economia brasileira deve crescer 2,4% em 2025, um resultado acima da média esperada para a América Latina e o Caribe, de 2,3%, segundo o novo relatório econômico regional do Banco Mundial, divulgado nesta terça-feira (7). A projeção repete as estimativas apresentadas em junho e mantém o Brasil entre as economias com desempenho mais sólido da região.

Os economistas do Banco Mundial mantiveram as previsões anteriores para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que continuam superiores às estimativas do Banco Central (BC) e do mercado financeiro. O Relatório de Política Monetária do BC, divulgado em 25 de setembro, prevê alta de 2% em 2025 e de 1,5% em 2026. Já o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projeta 2,16% em 2025 e 1,8% em 2026.

Em 2024, o PIB do Brasil cresceu 3,4%, superando as expectativas iniciais. O Ministério da Fazenda, por sua vez, mantém uma perspectiva otimista, com previsão de crescimento de 2,3% em 2025 e 2,4% em 2026, de acordo com o Boletim MacroFiscal de setembro.

Desempenho regional

O Banco Mundial, instituição financeira internacional formada por 189 países e sediada em Washington (EUA), projeta um crescimento de 2,3% para 2025 e 2,5% para 2026 na América Latina e Caribe. A previsão para o próximo ano é idêntica à de junho, enquanto a de 2026 foi revisada para cima em 0,1 ponto percentual. Em 2024, a região cresceu 2,2%, segundo a instituição.

Entre os países analisados, a Guiana é o destaque com crescimento de 11,8% em 2025, seguido por estimativas impressionantes de 22,4% em 2026 e 24% em 2027, impulsionado pela expansão do setor petrolífero na Margem Equatorial, região geográfica próxima à Linha do Equador e também de interesse da Petrobras.

Na sequência, aparece a Argentina, com projeção de 4,6% em 2025 e 4% em 2026, mesmo com uma leve redução em relação ao relatório anterior, que previa altas de 5,5% e 4,5%, respectivamente. “A Argentina continua apresentando uma recuperação econômica notável após dois anos consecutivos de contração, embora desafios profundos ainda persistam”, destaca o documento.

Em contraste, a Bolívia apresenta as piores previsões, com três anos seguidos de retração no PIB: -0,5% em 2025, -1,1% em 2026 e -1,5% em 2027.

Desafios e reformas necessárias

De acordo com o Banco Mundial, a América Latina e o Caribe continuam sendo as regiões de crescimento mais lento do planeta, afetadas por fatores externos e internos.

Entre as causas externas estão a desaceleração da economia global e a queda no preço das commodities, que afetam diretamente países exportadores como Brasil, Chile, Venezuela e Bolívia. Já entre os fatores internos, os economistas citam as políticas monetárias restritivas, o baixo nível de investimento público e privado e a falta de espaço fiscal, ou seja, limitações no gasto público.

“Esses desafios apenas reforçam a relevância da agenda de reformas voltadas ao crescimento que são necessárias nas áreas de infraestrutura, educação, regulação, concorrência e política tributária”, afirma o relatório.

O documento ressalta ainda que “enfrentar essas questões exige reformas profundas, entre elas: melhorar os sistemas educacionais em todos os níveis, fortalecer a qualidade das universidades e institutos de pesquisa, bem como estreitar seus vínculos com o setor privado; além de aprofundar os mercados de capitais e facilitar a gestão do risco inerente aos processos de inovação e empreendedorismo”.

Com a manutenção das projeções e o desempenho acima da média regional, o Brasil segue como um dos principais motores econômicos da América Latina, ainda que dependa de avanços estruturais e reformas de longo prazo para sustentar o crescimento nos próximos anos.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.