Acordo entre Fiocruz e empresa indiana amplia autonomia nacional na fabricação de imunizantes.
O Brasil e a Índia firmaram um acordo de cooperação internacional para fortalecer a produção de vacinas e ampliar a capacidade tecnológica dos dois países na área de imunobiológicos. O compromisso foi assinado nesta sexta-feira (17) durante agenda oficial em Nova Délhi, com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O entendimento, celebrado entre o Ministério da Saúde e a empresa Biological E Limited, prevê cooperação mútua em pesquisa, inovação e transferência de tecnologia para vacinas virais e bacterianas produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da unidade Bio-Manguinhos.
Em nota, o Itamaraty informou que o acordo “integra os esforços do governo brasileiro para ampliar o comércio, os investimentos e a cooperação bilateral em áreas estratégicas, alinhados aos compromissos firmados entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi”.
Desenvolvimento conjunto e transferência de tecnologia
O acordo estabelece as bases para o desenvolvimento conjunto de pesquisas científicas e estudos sobre vacinas produzidas pela Fiocruz. Entre os projetos prioritários está a vacina pneumocócica 24 valente, cuja eficácia e segurança serão avaliadas em estudos colaborativos, além de medidas para formalizar a transferência de tecnologia da vacina pneumocócica 14 valente.
Segundo o Ministério da Saúde, “essa transferência garantirá produção nacional e fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a autonomia brasileira na fabricação de imunizantes”.
Cooperação técnica e inovação
O documento prevê cooperação técnica e científica em áreas ligadas à produção, desenvolvimento e inovação em vacinas, além de parcerias para prestação de serviços técnicos que ampliem a capacidade produtiva nacional e atendam às demandas do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O Itamaraty destacou que o acordo “tem como objetivos específicos o intercâmbio de conhecimento e experiências, o apoio à vigilância epidemiológica e a criação de um ambiente colaborativo voltado à propriedade intelectual e a novos projetos de inovação”.
A Biological E Limited contribuirá com expertise em pesquisa, desenvolvimento e dados técnicos sobre vacinas pneumocócicas, além de infraestrutura de produção. Já a Fiocruz/Bio-Manguinhos participará com estrutura produtiva, conhecimento em biotecnologia, rede de pesquisa e integração com o SUS.
O Ministério da Saúde classificou a parceria como “um passo estratégico para fortalecer a soberania tecnológica do Brasil na área de imunobiológicos”, garantindo o fornecimento contínuo de vacinas essenciais e impulsionando o desenvolvimento de novas gerações de imunizantes para o PNI e para a população brasileira.