Compromisso integra o plano “Belém 4x” e reforça liderança do país na transição energética global
O Brasil anunciou um compromisso internacional para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. O anúncio foi feito durante o encerramento da Pre-COP, em Brasília, na última terça-feira (14), com o lançamento do “Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis”, conhecido como “Belém 4x”. A iniciativa busca apoio político global para acelerar a transição para energias limpas e ampliar a descarbonização dos sistemas energéticos.
O plano se apoia em um relatório inédito da Agência Internacional de Energia (AIE), intitulado “Delivering Sustainable Fuels – Pathways to 2035”. O documento aponta caminhos para o desenvolvimento e expansão de biocombustíveis, biogases, hidrogênio verde e combustíveis sintéticos, com o objetivo de substituir gradualmente os combustíveis fósseis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O programa Belém 4x pretende fortalecer o papel do Brasil na agenda climática internacional, impulsionando a adoção de tecnologias sustentáveis e a cooperação entre países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a iniciativa também busca incentivar investimentos e promover um ambiente regulatório favorável ao avanço da bioeconomia e da energia limpa.
Durante o evento, o governo brasileiro destacou que a transição energética é uma prioridade nacional e que o país pretende liderar o processo de ampliação do uso de fontes renováveis. Japão, Itália e Índia já manifestaram apoio à proposta, e a expectativa é de que outros países se unam ao compromisso durante a Cúpula de Líderes da COP30, marcada para novembro, em Belém.
Além do compromisso sobre combustíveis sustentáveis, a Pre-COP também apresentou novos estudos sobre energias renováveis e eficiência energética. Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) revelou que o mundo atingiu 582 gigawatts (GW) de capacidade renovável em 2024, mas ainda é necessário ampliar o ritmo de expansão para alcançar a meta de 2030.
O documento mostrou que a eficiência energética global melhorou apenas 1% em 2024, muito abaixo da meta ideal de 4% ao ano. A Irena enfatizou que é preciso acelerar investimentos em infraestrutura e políticas públicas interconectadas, especialmente em países emergentes, para garantir o avanço da transição energética.
Outro dado apresentado aponta que as economias do G20 devem liderar o crescimento das energias renováveis até 2030, representando mais de 80% da capacidade instalada no planeta. Já os países do G7 precisarão ampliar sua produção em cerca de 20% nesta década, reforçando o papel das grandes potências na consolidação de um novo modelo energético global.
Para alcançar esses objetivos, o estudo sugere que os países integrem suas metas de energia renovável às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) antes da COP30 e dobrem os investimentos no setor. A estimativa é de que sejam necessários ao menos 1,4 trilhão de dólares anuais entre 2025 e 2030, mais que o dobro dos 624 bilhões aplicados em 2024.