Governo mantém defesa do Pix, mas apresenta “mapa do caminho” para tentar barrar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O governo brasileiro apresentou, na quinta-feira (2), uma nova proposta aos Estados Unidos na tentativa de evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi discutida em reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Durante a conversa, o Brasil apresentou um “mapa do caminho”, com estratégias e ações voltadas a reforçar que as práticas adotadas pelo país não restringem nem oneram o comércio com os norte-americanos. Do lado brasileiro, as negociações foram conduzidas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias.
O governo brasileiro segue mantendo a defesa do Pix e não aceita incluir mudanças no sistema de pagamentos instantâneos como parte das negociações. No entanto, abriu diálogo sobre outras áreas apontadas como preocupação pela gestão do presidente Donald Trump.
Entre os temas discutidos estão tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Esses pontos fazem parte da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos sobre práticas brasileiras consideradas problemáticas pelo governo norte-americano.
A proposta brasileira é vista por integrantes do governo como uma tentativa final da área técnica para evitar ou adiar a aplicação do tarifaço. Um novo encontro entre representantes dos dois países deve ocorrer até 15 de julho, prazo previsto para a decisão final dos Estados Unidos sobre a eventual adoção das medidas.
As equipes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da assessoria especial da Presidência participaram da formulação das novas medidas apresentadas aos norte-americanos.
O governo brasileiro também propôs reduzir tarifas de importação de cerca de 300 produtos em três áreas: maquinário agrícola, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação. A redução seria aplicada de forma ampla, e não exclusivamente aos Estados Unidos, mas a avaliação do Brasil é que empresas norte-americanas estariam entre as principais beneficiadas.
A investigação comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil foi aberta com base em temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas, propriedade intelectual, combate à corrupção e questões ambientais. O governo brasileiro tenta demonstrar que suas políticas não configuram práticas desleais nem prejudicam o comércio bilateral.
Com o avanço das negociações, o Palácio do Planalto busca evitar impactos sobre setores exportadores brasileiros e preservar a relação comercial entre os dois países. A decisão final, porém, dependerá da avaliação do governo norte-americano até o fim do prazo estabelecido.