Saúde

Brasil vai produzir insulina em parceria com biofarmacêutica chinesa Gan & Lee

Acordo prevê transferência de tecnologia e deve reduzir custos ao SUS.

16 de Outubro de 2025
Foto: MS / Divulgação

O Governo Federal firmou uma parceria com a biofarmacêutica chinesa Gan & Lee Pharmaceuticals para viabilizar a produção nacional da insulina glargina, medicamento de ação prolongada usado no tratamento do diabetes tipo 1 e 2. O acordo foi assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e reúne a Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a Biomm e a empresa chinesa. A previsão inicial é produzir 20 milhões de frascos destinados ao abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Ministério da Saúde, o projeto inclui transferência de tecnologia e cooperação científica entre os países, representando um passo estratégico para reduzir a dependência externa de insulinas e ampliar a oferta do medicamento no sistema público.

Inicialmente, o envase e a rotulagem serão realizados no Brasil sob supervisão da Biomm, utilizando o insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da Gan & Lee. Posteriormente, o medicamento passará a ser totalmente produzido no país, no Centro Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE) da Fiocruz, localizado em Eusébio (CE).

O ministro da Saúde destacou o empenho conjunto dos governos do Brasil e da China para tornar a parceria produtiva e geradora de conhecimento científico, com o objetivo de garantir mais medicamentos ao povo brasileiro.

O governo também avalia que a iniciativa fortalecerá a cadeia nacional de insumos estratégicos, estimulando setores de logística, biotecnologia e química, além de gerar economia ao SUS com a redução de custos de importação e transporte.

A vice-presidente da Fiocruz, Priscila Ferraz, afirmou que o acordo amplia as possibilidades de tratamento de doenças relevantes para a saúde pública, como cânceres e doenças autoimunes. “A insulina glargina já é utilizada na China há mais de 20 anos e essa cooperação abre novas possibilidades de desenvolvimento tecnológico e de estudos clínicos”, destacou.

De acordo com o governo, a insulina glargina já é comercializada em mais de 30 países e deverá impulsionar a produção local de medicamentos estratégicos. O projeto também prevê o desenvolvimento de novas pesquisas e produtos voltados ao tratamento de câncer, diabetes, obesidade e doenças autoimunes, reforçando o papel do Brasil na pesquisa clínica.

O diretor da Gan & Lee, Wei Chen, afirmou que o acordo simboliza “um novo patamar de cooperação tecnológica”. Segundo ele, “acreditamos que este projeto será um modelo de colaboração internacional, capaz de incentivar novas alianças entre empresas chinesas e brasileiras”.

A parceria também abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente no intestino, que auxilia no controle do apetite, da glicose e da saciedade, substância que vem sendo usada em terapias modernas contra o diabetes tipo 2 e a obesidade.

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