Família afirma que Daniela Costa foi vítima de esquema internacional e recorrerá da decisão
A família da brasileira Daniela Costa, de 35 anos, denuncia que ela foi condenada a dois anos e seis meses de prisão no Camboja por tráfico de drogas, após ter sido vítima de um esquema de tráfico humano. A sentença, divulgada recentemente a parentes por uma rede de apoio que acompanha o caso, ainda permite recurso. Segundo a família, Daniela foi detida quando tentava retornar ao Brasil, após perceber que havia caído em um golpe.
De acordo com os familiares, Daniela viajou ao país asiático após receber uma proposta de emprego pela internet, mas ao chegar ao destino constatou que se tratava de uma operação criminosa. Eles afirmam que a brasileira se recusou a participar das atividades ilegais e, como represália, criminosos teriam colocado cápsulas de droga no banheiro utilizado por ela, resultando na prisão. O Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Phnom Penh acompanha o caso e presta assistência consular.
A família conta ainda que o advogado responsável pela defesa de Daniela no Camboja abandonou o caso, o que ampliou a preocupação sobre a situação dela. A Clínica de Direito da UFMG, segundo parentes, está prestando apoio jurídico e orientando os passos para tentar reverter a decisão. Para os familiares, Daniela vem sendo injustiçada desde o início, após ter sido enganada por criminosos que a atraíram com uma falsa promessa de trabalho.
O caso começou em janeiro, quando Daniela recebeu pelas redes sociais uma oferta para atuar em telemarketing no Camboja. A promessa incluía salário entre 1.000 e 2.000 dólares, além de moradia e alimentação. Sem conseguir emprego no Brasil e com histórico de experiências no exterior, ela decidiu aceitar. A mãe relatou que a filha havia morado anteriormente nos Estados Unidos e na Armênia, o que reforçou a confiança na proposta.
Ao chegar ao alojamento, Daniela compartilhou fotos e localização com a família. A mãe recorda que o local parecia estranho, com beliches e ambiente improvisado. Segundo ela, outras pessoas chegariam depois. Meses mais tarde, a família recebeu mensagens supostamente enviadas por Daniela, nas quais ela afirmava ter pedido demissão e solicitava dinheiro para retornar ao Brasil. Os criminosos teriam usado o celular da brasileira para aplicar o golpe que resultou em uma transferência de R$ 27 mil.
Pouco tempo depois, Daniela conseguiu entrar em contato para informar que havia sido presa no dia 30 de março. Ela relatou à mãe que criminosos teriam implantado três cápsulas de droga no banheiro e a responsabilizado pelo material. Segundo a família, Daniela pediu exame toxicológico para comprovar inocência, mas a polícia local recusou. Além disso, seus pertences teriam sido confiscados pelos criminosos antes da prisão.
As condições do cárcere também preocupam os parentes. Daniela divide uma cela com cerca de 90 mulheres, em um ambiente sem estrutura adequada. Segundo relatos da mãe, muitas detentas revezam para dormir devido à superlotação, tomam banho com auxílio de canecas e precisam comprar comida para se alimentar adequadamente. A brasileira chegou a enfrentar infecções e ficou até 48 horas sem água e comida, segundo a família.
Parentes afirmam ter tentado diversas vezes contato com autoridades brasileiras, especialmente com o Itamaraty, para pedir apoio na repatriação e revisão do caso. A mãe destacou que muitos brasileiros buscam oportunidades no exterior por falta de perspectivas de trabalho no país, mas acabam vulneráveis a golpes desse tipo. A família segue mobilizada e espera que a condenação possa ser revista, sustentando que Daniela é vítima de um esquema internacional de tráfico humano.