Jogador do Flamengo é acusado de manipular resultado e pode virar réu
O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, virou alvo de denúncia formal do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por fraude esportiva e estelionato. A acusação aponta que o jogador teria forçado um cartão amarelo para beneficiar apostadores em uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2023, contra o Santos.
O caso, que já vinha sendo investigado, ganhou novo capítulo com o protocolo da denúncia na quarta-feira (11) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) também avalia se irá denunciar o atleta em âmbito esportivo.
Bruno Henrique foi intimado a depor ao STJD no último dia 29 de maio, e a Procuradoria do tribunal foi acionada no sábado (7) para dar andamento às medidas cabíveis. O procurador responsável será Eduardo Ximenes, que decidirá se há elementos suficientes para uma denúncia disciplinar.
O jogador foi indiciado no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê de dois a seis anos de reclusão para quem fraudar, por qualquer meio, o resultado de competições esportivas. A pena pode ser aplicada a atletas, dirigentes ou qualquer envolvido no evento esportivo.
Além do depoimento do jogador, outras testemunhas foram ouvidas no fim de maio. As investigações indicam que o esquema pode ter ocorrido com a intenção de favorecer pessoas que apostaram em ações específicas durante os jogos, como o recebimento de cartões.
O caso também avançou na esfera criminal. Bruno Henrique foi investigado pela Polícia Federal a partir de abril, e o inquérito resultou no pedido de denúncia por parte do MP. A defesa do atleta solicitou o arquivamento do inquérito, que ainda será analisado.
Os promotores ainda pediram à Polícia Federal que aprofunde as investigações sobre possíveis novos crimes. Uma das suspeitas envolve apostas em corridas de cavalos, com base em mensagens trocadas entre Bruno Henrique e seu irmão, Wander Júnior, via WhatsApp.
Nas conversas, datadas de outubro de 2023, há menções a cartões, faltas e apostas, com pagamento via Pix. Quando questionado se estava apostando em vitórias ou cartões, o jogador responde: “não é nada disso não. Parada de cavalo”, indicando outra possível frente de investigação.
Com a denúncia protocolada, Bruno Henrique pode se tornar réu e responder judicialmente por manipulação de resultado e fraude esportiva. A decisão agora está nas mãos do Ministério Público e da Justiça Comum, além da possível punição no âmbito desportivo.