Mundo

Calor ligado às mudanças climáticas causou 16,5 mil mortes na Europa

Estudo britânico alerta para riscos crescentes de verões mais quentes e mortais.

17 de Setembro de 2025
Foto: Reuters / Jon Nazca

Um estudo científico divulgado nesta quarta-feira (17) revela que cerca de 16.500 pessoas morreram neste verão em 854 cidades europeias devido às altas temperaturas agravadas pelas alterações climáticas, de um total de 24.440 mortes relacionadas com o calor.

A investigação, conduzida por especialistas do Imperial College London e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, concluiu que 68% das mortes por calor foram provocadas pelas mudanças climáticas. A coleta de dados ocorreu entre 1º de junho e 31 de agosto e abrange aproximadamente 30% da população europeia.

Esta é a primeira estimativa em grande escala dos impactos na saúde de um verão com temperaturas particularmente elevadas na Europa. Várias ondas de calor foram observadas, e este foi o verão mais quente já registrado em países como Portugal, Espanha e Reino Unido.

Segundo os pesquisadores, as temperaturas diárias estavam, em média, 2,2 °C acima do normal, consequência direta da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. A Itália lidera o ranking de vítimas, com 4.597 mortes, seguida de Espanha (2.841), Alemanha (1.477), França (1.444) e Reino Unido (1.147). Capitais como Roma (835 mortes), Atenas (630) e Paris (409) figuram entre as mais atingidas.

O estudo destaca que 85% das vítimas tinham mais de 65 anos, sinalizando “a crescente ameaça representada pelos verões extremos para uma população europeia cada vez mais envelhecida”. Os pesquisadores descrevem o calor extremo como um “assassino silencioso”, já que muitas mortes não são notificadas e os números oficiais podem demorar meses para serem divulgados.

A equipe científica recomenda o reforço das políticas de proteção contra o calor e afirma que a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis é a medida mais eficaz para conter a mortalidade.

Friederike Otto, professora de Ciência Climática no Imperial College London, reforçou a relação direta entre poluentes e mortes: “A cadeia que vai desde a queima de petróleo, gás e carvão até o aumento das temperaturas e à mortalidade é inegável”, disse. Ela acrescentou que, se a dependência desses combustíveis não tivesse persistido nas últimas décadas, teria sido possível evitar “a maioria” das cerca de 16.500 mortes.

Os especialistas alertam que o risco aumentará nos próximos anos se a transição energética não for acelerada. “Neste século, estamos a caminho de atingir temperaturas até três graus Celsius mais altas, o que trará verões muito mais quentes e mortíferos para a Europa”, concluiu Friederike.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.