Proposta do governo Lula inclui desconto progressivo e taxação de grandes fortunas.
A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (1º) o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês. A medida, considerada prioritária pelo governo federal em ano pré-eleitoral, cumpre uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O texto também prevê desconto progressivo para quem tem salários de até R$ 7.350 mensais, ampliando o alcance da desoneração. A votação foi confirmada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, após almoço com Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A proposta deve gerar impacto estimado de R$ 25 bilhões por ano nos cofres públicos. O relator, deputado Arthur Lira, manteve no texto a previsão de taxar em até 10% as rendas acima de R$ 1,2 milhão por ano, como sugerido pelo governo.
Lira destacou que a principal discussão em plenário será sobre as medidas de compensação à perda de arrecadação. “Não vai ter um deputado que vote contra isso. Eu venho dizendo há dias que a discussão desse projeto vai se dar na compensação”, afirmou após reunião com a Frente Parlamentar da Agropecuária.
A oposição, por sua vez, sinalizou que não pretende se opor ao texto. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, disse que o partido não irá se preocupar com a questão da compensação neste momento.
“Se a partir de primeiro de janeiro de 27 formos governo, eu te garanto que a direita sabe fazer, sabe ter responsabilidade fiscal, contenção de gastos para viver com o orçamento apresentado ao Congresso e aprovado pelo Congresso. Quem não sabe fazer isso é a esquerda. Nós não temos problema com relação a isso”, declarou.
Com a pauta em análise, o governo busca garantir apoio para aprovar a medida ainda em outubro, fortalecendo sua agenda econômica e sinalizando alívio no bolso de milhões de brasileiros assalariados.