Aliados do presidente acompanham efeitos políticos das investigações a poucos dias do início oficial da campanha.
A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar uma estratégia para tentar reduzir os impactos políticos das recentes crises envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Os episódios ganharam repercussão justamente às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
Dentro do núcleo político do presidente, a preocupação é evitar que os dois casos ocupem o centro do debate durante a disputa. A avaliação entre aliados é de que as investigações podem ser exploradas por adversários, obrigando a campanha a acompanhar de perto os desdobramentos e a reagir rapidamente a novas informações.
A situação envolvendo Marcola ganhou força após a revelação de repasses que somam R$ 249 mil feitos pela empresária Roberta Luchsinger. Ele afirmou que os valores correspondem a um empréstimo pessoal, que já teria sido quitado, e negou qualquer irregularidade. Depois da repercussão, Marcola deixou a equipe responsável pela coordenação das agendas da campanha, decisão vista nos bastidores como uma tentativa de conter possíveis desgastes.
Paralelamente, a campanha acompanha os inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha. A Polícia Federal apura se o empresário teria usado influência para beneficiar interesses de empresas ligadas a Roberta Luchsinger e ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Até o momento, três inquéritos foram autorizados para apurar os fatos. As investigações aumentaram a pressão sobre o entorno do presidente em um momento considerado estratégico, já que a campanha entra na fase final de preparação antes da abertura oficial do período eleitoral.
Lula tem afirmado, em reuniões e entrevistas, que a Polícia Federal possui autonomia para investigar qualquer pessoa, inclusive integrantes de sua família. Ao comentar o episódio envolvendo Marcola, o presidente minimizou a situação ao perguntar: “Quem aqui nunca pediu um empréstimo para um amigo?”. Sobre Lulinha, afirmou que não haverá tratamento diferenciado: “Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio”.
O lançamento oficial da campanha de Lula está previsto para o dia 16 de agosto, durante um ato na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo. O local tem forte valor simbólico para a trajetória política e sindical do presidente e deverá marcar o início público da estratégia de reeleição em meio às recentes turbulências.