Tecnologia desenvolvida por Lívia Eberlin promete tornar operações oncológicas mais seguras e personalizadas.
Uma inovação criada pela química brasileira Lívia Schiavinato Eberlin pode transformar a forma como o câncer é identificado durante cirurgias. Trata-se da MasSpec Pen, uma caneta capaz de detectar, em poucos segundos, se um tecido é saudável ou cancerígeno. O dispositivo está em fase avançada de estudos clínicos no Brasil e promete aumentar a precisão dos procedimentos cirúrgicos.
O funcionamento é simples e rápido: uma microgota de água é aplicada sobre o tecido suspeito, coletando moléculas que são analisadas em um espectrômetro de massas conectado à caneta. O resultado surge em até 20 segundos, indicando ao cirurgião se o tecido deve ser removido. Em testes, a tecnologia alcançou acurácia superior a 95% na distinção entre tecidos normais e tumorais.
Atualmente, a MasSpec Pen é testada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, em parceria com o Centro de Pesquisa em Imunologia e Oncologia (CRIO). Os estudos envolvem pacientes com câncer de pulmão e tireoide e buscam validar o uso da tecnologia em ambiente cirúrgico real. A pesquisa também investiga se a caneta pode avaliar a resposta do tumor a tratamentos, o que abriria caminho para terapias mais personalizadas.
Apesar do avanço, o uso clínico ainda depende de aprovação regulatória e de maior acessibilidade econômica. O equipamento exige um espectrômetro de alta precisão e treinamento especializado, o que eleva o custo e limita a aplicação em larga escala. Mesmo assim, especialistas consideram o projeto um marco da ciência brasileira, capaz de reduzir o tempo de cirurgias, evitar novas intervenções e preservar tecidos saudáveis.
Com a tecnologia, o Brasil se posiciona na vanguarda da oncologia mundial, unindo inteligência artificial e análise molecular para garantir cirurgias mais seguras e resultados mais rápidos no combate ao câncer.