Saúde

Canetas emagrecedoras começam a ser testadas em pacientes do SUS

Projeto piloto no Rio Grande do Sul vai acompanhar 250 pacientes por dois anos para avaliar eficácia, segurança e custos do uso da semaglutida no tratamento da obesidade.

Por: Portal Amz em Pauta
27 de Junho de 2026
Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

O uso da semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, começou a ser testado em pacientes do Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul. A iniciativa foi autorizada na sexta-feira (26) e será realizada pelo Grupo Hospitalar Conceição, com acompanhamento do Ministério da Saúde.

O projeto piloto, chamado Real-Bari, prevê o acompanhamento de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças. Todos já são acompanhados pelo hospital e passaram por tratamento clínico convencional, como dieta estruturada e prática regular de atividade física, sem resposta satisfatória.

Para participar, os pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, apresentar falha documentada no tratamento tradicional e ter condições de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com apoio de um cuidador.

O estudo terá duração de dois anos. Nesse período, serão avaliados indicadores como percentual de perda de peso, evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e custos do tratamento.

A proposta é entender como medicamentos à base de GLP-1, classe da semaglutida, podem ser incorporados de forma segura e adequada à realidade do SUS. Durante a cerimônia de início do projeto, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Brasil busca avançar nos estudos sobre a tecnologia para ampliar o conhecimento sobre segurança, produção e oferta do tratamento no sistema público.

O protocolo foi elaborado pelo Grupo Hospitalar Conceição em parceria com o Ministério da Saúde e prevê acompanhamento contínuo por médicos especialistas da unidade.

De acordo com o perfil dos pacientes atendidos pelo hospital, 91% das pessoas com obesidade apresentam quadro mórbido da doença. Desse total, apenas 47% têm condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica.

A pesquisa será financiada com recursos transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento.

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