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Caprichoso e Garantido encerram Festival de Parintins com emoção, ancestralidade e despedida

Última noite teve homenagem a Markinho Azevedo, rituais indígenas, fé popular e a despedida de Isabelle Nogueira como cunhã-poranga do boi vermelho

Por: Portal Amz em Pauta
29 de Junho de 2026
Foto: Mauro Neto e Tiago Correa/Secom | Euzivaldo Queiroz/Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar | Alex Maia/Cosama

A terceira e última noite do 59º Festival de Parintins, realizada no domingo (28), reuniu emoção, ancestralidade, cultura popular e momentos históricos na arena do Bumbódromo. O Boi Caprichoso encerrou sua participação com o espetáculo “Norte Brasil, Chão de Bravos”, enquanto o Boi Garantido fechou o festival com o subtema “Parintins, Terra Encantada”. As apresentações destacaram a memória dos povos da Região Norte, os saberes amazônicos, a fé popular e a força da rivalidade entre azul e vermelho.

Abrindo a noite, o Caprichoso levou para a arena uma narrativa voltada à identidade cultural da Região Norte e à preservação dos saberes da floresta. Ao longo das três noites, o boi azul desenvolveu uma proposta ligada à origem da manifestação cultural, à ancestralidade e às tradições amazônicas. Antes da entrada oficial, o tripa Edson Azevedo destacou a preparação da equipe para o encerramento. “Estamos aqui na última noite, fizemos um trabalho incrível nas últimas duas noites e hoje não vai ser diferente. O Caprichoso vem trazendo uma apresentação crescente, o item 10 também”, afirmou.

A evolução inicial do bumbá azul foi marcada por uma homenagem ao ex-tripa Markinho Azevedo, que morreu em dezembro de 2023, aos 59 anos. Uma estrela com a imagem do artista foi exibida na arena enquanto Edson Azevedo conduzia a evolução do boi, em um momento de forte emoção para a galera azul e branca. Na sequência, o item Lenda Amazônica apresentou “Nhaçã Hekã, Macacos Comedores de Gente”, criação de Geremias Pantoja, inspirada em narrativas tradicionais da região da Ilha do Bananal. A encenação contou a história do guerreiro Maricá, que derrota criaturas que ameaçavam seu povo, com a aparição da cunhã-poranga Marciele Albuquerque conduzida por um pássaro negro.

A Figura Típica Regional do Caprichoso trouxe “As Farinheiras da Amazônia”, de Makoy Cardoso e Nei Meireles, homenageando as mulheres responsáveis pela produção artesanal da farinha de mandioca. Do centro da alegoria surgiu a Rainha do Folclore, Cleise Simas. Outro destaque foi o Auto do Boi Brasileiro, Exaltação Cultural, com alegoria assinada por Brás Lira, que levou para a arena Pai Francisco e Mãe Catirina, personagens centrais do Bumba-Meu-Boi.

O encerramento da apresentação azul ficou por conta do Ritual Indígena “Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre”. Inspirado na cosmologia do povo Xikrin, o espetáculo representou a jornada de formação do xamã, marcada pela travessia do portal Inhum-djêk e pelo encontro com Okti, o Grande Gavião-Real, figura reconhecida como o xamã primordial na tradição desse povo indígena. Na arquibancada, a parintinense Maria Auxiliadora Fernandes, de 49 anos, resumiu a emoção de acompanhar as três noites. “Eu vim as três noites com muito amor, com muita fé, com a honestidade do Caprichoso, com a sua maravilhosa apresentação, muito boa e coesa”, declarou.

Fechando a noite e o festival, o Garantido entrou na arena com o subtema “Parintins, Terra Encantada”, em uma apresentação marcada pela fé popular, pelos saberes ancestrais e pela identidade cultural da Ilha Tupinambarana. Em uma arena tomada pela galera encarnada, o boi vermelho apresentou uma narrativa inspirada na relação dos povos amazônicos com os rios, a floresta e os encantados. O espetáculo relembrou o imaginário que coloca Parintins sobre o dorso de uma grande sucuri ancestral e reforçou a ligação entre natureza, espiritualidade e cultura popular.

Um dos momentos mais marcantes do Garantido foi a lenda “Templo do Sol”, assinada por Luiz Sampaio e equipe. Inspirada na tradição do povo Konduri, a alegoria apresentou Kwaracy, o Sol, simbolizando a relação dos povos originários com os elementos da natureza. Durante a apresentação, Isabelle Nogueira interpretou a Rainha Konduri e fez sua última evolução como cunhã-poranga do Garantido. A artista também foi homenageada com uma escultura de seu próprio rosto inserida na alegoria.

A despedida de Isabelle Nogueira, na madrugada desta segunda-feira (29), ocorreu ao som da toada “Isa-A-Bela”, composta por Paulinho Du Sagrado. Ovacionada pela torcida vermelha e branca, a cunhã-poranga afirmou que encerra o ciclo com a sensação de missão cumprida. “Estou muito feliz, foi um momento de muita alegria. Todo o ciclo perfeito da Mãe da Natureza tem início, meio e fim, e a gente encerra com muita felicidade. Meu corpo físico queria muito continuar, eu me sinto com gás e energia para mais uns anos de Festival, mas a minha alma diz que eu tinha um dever, uma missão a cumprir, ela foi cumprida com sucesso”, disse.

Isabelle também avaliou a apresentação da última noite e a homenagem recebida na arena. “Foi lindo o Templo do Sol, Garantido com energia de bicampeonato. Tudo lindo, seja o que Deus quiser. Entregamos muito entretenimento e cultura para esse povo maravilhoso, foi lindo. Estou muito feliz, muito feliz mesmo”, afirmou. A trajetória da artista no Garantido começou em 2014, como Rainha do Folclore, posto que ocupou até 2017. Em 2018, assumiu o item Cunhã-Poranga, tornando-se uma das principais referências do festival e ajudando a ampliar a projeção nacional da festa.

A terceira noite do Garantido também apresentou a Figura Típica Regional “Festeiro de Santo”, assinada por Denildo Teixeira e equipe, em homenagem aos promesseiros e às manifestações da fé popular amazônica. Na arquibancada, Andrews Farias, de 32 anos, natural de Santarém, participou pela primeira vez do item 19, Galera do Garantido, e comemorou a experiência. “Eu vim desde a primeira noite e eu tenho certeza absoluta que a gente vai ser campeão. Eu falo com convicção, e nós estamos melhores, e nós vamos ser bicampeões. Eu frequento o festival há mais de 10 anos, mas é a primeira vez que eu estou aqui na galera, no item, isso aqui pra mim é uma loucura, é uma realização de um sonho, e eu tô muito feliz”, declarou.

A apuração das notas do 59º Festival de Parintins acontece nesta segunda-feira (29), a partir das 16h, no Bumbódromo, quando será conhecido o campeão de 2026. Após três noites de disputa, Caprichoso e Garantido encerraram suas apresentações reafirmando a força da cultura amazônica e a importância do festival como uma das maiores manifestações populares do Brasil.

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