Justiça

Caso Dom e Bruno: "Colômbia" e "Pelado" são interrogados pela Justiça Federal

Réus estão presos em presídios federais e participam de audiências por videoconferência

16 de Outubro de 2025
Foto: Divulgação

Os principais acusados pela morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips começaram a ser interrogados nesta quinta-feira (16) pela Justiça Federal em Tabatinga, a 1.108 quilômetros de Manaus. Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, e Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, estão entre os dez réus que respondem ao processo e participam da audiência por videoconferência.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os dois são investigados por participação em uma organização criminosa que atuava com pesca ilegal e tráfico de munição na Terra Indígena Vale do Javari, no oeste do Amazonas. O interrogatório faz parte de um processo separado daquele que apura diretamente o duplo homicídio de Bruno e Dom.

O inquérito aponta “Colômbia” como líder da quadrilha, que teria se estabelecido na região para explorar de forma ilícita recursos pesqueiros e comercializar munições. A acusação sustenta que o grupo operava com violência para manter o domínio sobre áreas próximas às comunidades ribeirinhas e indígenas.

As investigações indicam ainda que o assassinato do indigenista e do jornalista foi motivado pelas ações de fiscalização ambiental conduzidas por Bruno Pereira, que vinham desmantelando atividades ilegais e prejudicando financeiramente o grupo criminoso. As informações colhidas pelo MPF também mostram que “Colômbia” teria ordenado a execução, enquanto “Pelado” seria o responsável direto pelos disparos.

No processo principal do duplo homicídio, Amarildo da Costa de Oliveira é apontado como o executor dos crimes. Rubén Dario Villar, por sua vez, é acusado de ser o mandante, além de financiar as operações de pesca ilegal e tráfico de munição na região. Ambos negam envolvimento e continuam presos em presídios federais de segurança máxima.

As audiências desta quinta e sexta-feira (17) têm como objetivo ouvir todos os réus e reunir novas provas antes da sentença. O julgamento ocorre em Tabatinga, sob responsabilidade da Justiça Federal do Amazonas, com acompanhamento de representantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e de observadores internacionais.

O caso ganhou repercussão mundial e expôs os riscos enfrentados por ambientalistas e comunicadores que atuam na Amazônia. Organizações indígenas e entidades de direitos humanos continuam cobrando que todos os envolvidos sejam responsabilizados criminalmente.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram em 5 de junho de 2022, durante uma expedição na região entre Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez ao passarem pela comunidade de São Rafael. Dias depois, seus corpos foram encontrados enterrados na floresta, marcando um dos episódios mais graves de violência ambiental da história recente da Amazônia.

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