Saúde

CFM solicita à Anvisa o banimento do uso de PMMA em preenchimentos estéticos

Recomendações vêm após aumento de complicações graves relacionadas ao uso do polimetilmetacrilato em procedimentos estéticos

21 de Janeiro de 2025
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que seja banido o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância para preenchimento estético. A solicitação foi feita nesta terça-feira (21) durante reunião com representantes da Anvisa, com base em uma crescente preocupação sobre as complicações causadas pelo uso do produto em procedimentos estéticos. 

O CFM destaca que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica alertou, em 2024, sobre os riscos graves do uso do PMMA injetável, incluindo infecções, necroses, insuficiência renal, além de reações alérgicas, inflamatórias e até óbitos. "Trata-se de um produto de difícil remoção e, quase sempre, com sequelas graves e mutiladoras ao paciente", afirma a entidade. 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia também expressou preocupações semelhantes, ressaltando que a utilização do PMMA deve ser restrita a médicos qualificados, pois os resultados podem ser imprevisíveis e resultar em efeitos colaterais persistentes. Em sua recomendação, o CFM reiterou a necessidade de banir o uso do PMMA como preenchimento estético, solicitando à Anvisa a suspensão imediata da produção e comercialização de preenchedores à base do produto no Brasil. 

O que é o PMMA? 

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um componente plástico utilizado em diversos setores, incluindo a saúde, onde é encontrado em lentes de contato, implantes e até no tratamento de doenças. No campo estético, o PMMA é utilizado em procedimentos de preenchimento cutâneo, frequentemente em forma de gel. No entanto, relatos de complicações associadas ao uso do PMMA em tratamentos estéticos têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil. Em 2020, uma influenciadora digital perdeu parte da boca e do queixo após o uso do PMMA em preenchimento labial, e no ano seguinte, outra influenciadora faleceu após aumentar os glúteos com o produto. 

A influêncer Mariana Michelini Redigolo, de Matão, perdeu o lábio superior (à dir) para retirar a substância PMMA que causou inflamação no seu rosto (à esq.) — Foto: Arquivo pessoal

Posicionamento da Anvisa 

Atualmente, a Anvisa autoriza o uso do PMMA apenas para fins reparadores, como correção de alterações volumétricas faciais e corporais devido a sequelas de doenças, como a poliomielite ou lipodistrofias causadas por medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/aids. A aplicação do PMMA deve ser realizada exclusivamente por médicos ou odontólogos habilitados, sendo proibido o uso para fins estéticos. A Anvisa também reforça que o produto não é indicado para procedimentos cosméticos. 

Preocupação com a estética e formação profissional 

O CFM também revelou, em levantamento recente, que a maioria dos cursos de estética registrados no Brasil não exige formação médica. Com mais de 1,4 milhão de vagas em cursos de estética, muitos deles voltados para técnicas invasivas como a aplicação de PMMA, a entidade alerta para o risco de um "descontrole" nas práticas estéticas e a "invasão de competências exclusivas do médico". O conselho exige medidas urgentes para garantir que a Lei do Ato Médico seja respeitada e para prevenir riscos à saúde da população. 

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