Saída de Gerardo Werthein agrava momento de instabilidade política para Javier Milei.
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, apresentou nesta quarta-feira (22) seu pedido de demissão, informou o gabinete presidencial argentino. A saída ocorre a poucos dias das eleições legislativas de domingo (26) e marca a segunda troca no comando da diplomacia durante os quase dois anos de governo do presidente Javier Milei.
Ainda não foram divulgados os motivos da renúncia nem o nome do substituto. Werthein, que antes atuou como embaixador da Argentina nos Estados Unidos, ocupava o cargo desde o final de 2024, quando substituiu Diana Mondino, demitida após votar na ONU pelo fim do embargo dos EUA contra Cuba.
Segundo o jornal La Nación, já era esperado que Werthein deixasse o ministério após a votação de domingo, mas o chanceler antecipou sua saída ao apresentar a renúncia na noite de terça-feira (21).
Contexto político e econômico
A decisão ocorre em um momento político delicado para Milei, que busca ampliar sua base legislativa para garantir apoio às medidas de austeridade e cortes de gastos públicos. O governo enfrenta crescente insatisfação popular devido aos impactos econômicos sobre aposentados e pessoas com deficiência, além de um recente escândalo de corrupção envolvendo membros da administração.
No início da semana, o presidente argentino havia sinalizado que promoveria mudanças no gabinete após as eleições de meio de mandato, em meio a pressões internas e externas.
O cenário eleitoral também é observado com atenção pelos Estados Unidos, que recentemente condicionaram parte de seu apoio financeiro à estabilidade política da Argentina. O Tesouro norte-americano confirmou um acordo de swap de moeda de US$ 20 bilhões e indicou estar negociando uma nova linha de crédito do mesmo valor com bancos e fundos de investimento internacionais.
A renúncia de Werthein aumenta a incerteza diplomática e política no país, justamente no momento em que Milei tenta fortalecer sua posição no Congresso e restaurar a confiança de investidores estrangeiros diante da crise econômica argentina.