Amazonas

Cheia de 2025 atinge 530 mil pessoas e desafia estrutura do Amazonas

Volume histórico de chuvas prolonga cheia no estado e adia início da vazante.

06 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

O Amazonas enfrenta uma das maiores cheias dos últimos anos, com mais de 530 mil pessoas afetadas e 40 municípios em situação de emergência, segundo dados atualizados da Defesa Civil estadual. Em plena primeira semana de julho, período que marca o início da vazante, o Rio Negro atingiu 29,04 metros em Manaus, nível incomum para a época, e que não era registrado desde 2014.

Imagens de satélite e drones mostram o contraste entre os atuais cenários alagados e os registros da severa seca de 2024, quando trechos hoje submersos estavam cobertos de areia. Cidades como Itacoatiara, Manacapuru e Parintins também apresentam cotas elevadas, revelando que o fenômeno afeta toda a extensão das calhas dos rios do estado.

De acordo com a pesquisadora Jussara Cury, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o atraso na vazante é resultado de dois fatores principais: o acúmulo de chuvas na parte norte da bacia amazônica e o represamento das águas pelo ainda elevado nível do Rio Solimões. “O Rio Negro está praticamente parado. Isso retarda o escoamento e prolonga a cheia em Manaus”, explicou.

O fenômeno, embora anormal, encontra precedentes nos anos de 2009 e 2014, quando o pico da cheia também ocorreu em julho. Segundo o SGB, o atual comportamento indica estabilidade, com oscilação de apenas um centímetro por dia, um sinal de que a vazante pode começar nos próximos dias, com o recuo do Alto Solimões.

A cheia tem causado impactos diretos à infraestrutura, à saúde e à educação. Mais de 133 mil famílias foram atingidas, e 444 estudantes de municípios como Anamã, Itacoatiara e Uarini estão tendo aulas remotas pelo programa “Aula em Casa”. O Governo do Amazonas já distribuiu 580 toneladas de cestas básicas, 2.450 caixas d’água, kits purificadores e até uma estação móvel de tratamento de água.

Itacoatiara - Rio Amazonas 

(Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica)

(Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica)

Benjamin Cosntant - Rio Solimões 

(Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica)

Em Manaus, bairros como Educandos, Presidente Vargas e Mauazinho são alguns dos mais afetados. A prefeitura construiu 800 metros de pontes provisórias para garantir o acesso a serviços essenciais e planeja iniciar a entrega de kits de higiene, cestas básicas e água potável na próxima semana. A Defesa Civil afirma que não será necessário retirar moradores, já que as estruturas emergenciais garantem segurança.

A situação levou também à intensificação das ações da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), que recolheu 2.559 toneladas de lixo entre janeiro e maio e conteve outras 1.359 toneladas com ecobarreiras, para evitar a poluição de igarapés e do Rio Negro, agravada com o acúmulo de entulho trazido pela cheia.

Como medida de longo prazo, a prefeitura de Manaus anunciou a elaboração de um plano habitacional com previsão de entrega de 15 mil moradias nos próximos quatro anos, parte delas voltadas a famílias que vivem em áreas de risco ou afetadas por fenômenos naturais, como a cheia ou a seca.

Manaus - Rio Amazonas 

(Foto: Reprodução/Globo)

Mesmo diante da crise, o monitoramento da situação segue de forma ativa. A Defesa Civil mantém plantão 24h e pode ser acionada pelo número 199 ou pelo telefone alternativo (92) 98802-3547. O órgão acompanha em tempo real os níveis dos rios por meio do Centro de Monitoramento e Alerta, para antecipar medidas de prevenção e resposta.

A expectativa agora é pela chegada da vazante nas próximas semanas, que deverá começar pelo Alto Solimões e seguir gradualmente para a região metropolitana de Manaus. Até lá, as autoridades seguem em alerta e a população tenta conviver com os impactos de uma das maiores cheias dos últimos anos.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.