José Antonio Kast lidera pesquisas e enfrenta desafio de governar país dividido
O Chile deve eleger neste domingo (14) o presidente mais à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, com a provável vitória de José Antonio Kast no segundo turno das eleições presidenciais. Líder nas pesquisas de opinião, o candidato da extrema direita chega à votação impulsionado por um eleitorado que cobra respostas rápidas para a crise de segurança e o avanço da imigração irregular.
Kast disputa a Presidência com Jeannette Jara, candidata da coalizão governista de esquerda e filiada ao Partido Comunista. A eleição coloca frente a frente dois projetos políticos opostos e simboliza uma possível guinada conservadora no país, em sintonia com o avanço de governos de direita em outras nações da América Latina.
Analistas avaliam que uma vitória de Kast representaria a mudança política mais significativa no Chile em décadas. Segundo Nicholas Watson, diretor da consultoria Teneo, o resultado colocaria no poder o presidente mais direitista desde Pinochet, que governou o país entre 1973 e 1990. Apesar disso, Watson ressalta que Kast é um político democrático e menos combativo do que outros líderes conservadores da região.
Aos 59 anos, Kast teve atuação política desde jovem e fez campanha, em 1988, para manter Pinochet no poder durante o plebiscito que encerrou a ditadura. Ainda assim, especialistas apontam que o atual candidato adota um discurso mais institucional e que a principal incógnita de um eventual governo será o grau de flexibilidade ideológica que ele demonstrará diante das pressões políticas.
Fundador do Partido Republicano após deixar a União Democrática Independente em 2016, Kast construiu uma carreira marcada por posições duras. Seu partido teve papel relevante na segunda tentativa de reformar a Constituição herdada da ditadura, mas a proposta acabou rejeitada pelos eleitores por ser considerada excessivamente conservadora.
Entre as principais promessas de campanha estão o envio de militares a bairros com altos índices de criminalidade, a construção de barreiras físicas na fronteira e a criação de uma força policial especializada para identificar e deportar imigrantes em situação irregular, especialmente venezuelanos. O candidato também defende um endurecimento geral das políticas de segurança pública.
Apesar do crescimento da direita no Congresso nas eleições legislativas de novembro, o Parlamento chileno permanece dividido entre esquerda e direita. Esse cenário deve obrigar Kast, caso eleito, a negociar com setores moderados para conseguir aprovar reformas, sob risco de se tornar um presidente com baixa governabilidade.
Especialistas lembram que o atual presidente, Gabriel Boric, enfrentou dificuldades semelhantes ao lidar com um Congresso fragmentado, o que comprometeu parte de sua agenda e levou à rejeição das propostas de mudança constitucional. A expectativa popular por resultados rápidos aumenta a pressão sobre o próximo governo.
No primeiro turno, realizado em 16 de novembro, Kast e Jara obtiveram cerca de um quarto dos votos cada, com leve vantagem para a candidata governista. A maioria dos votos dos demais candidatos, no entanto, tende a migrar para Kast, embora o voto obrigatório e o alto número de eleitores indecisos adicionem incerteza ao resultado final.
Analistas afirmam que, mais do que o resultado da eleição, o discurso de vitória de Kast será determinante para sinalizar o tom de seu eventual governo. A principal expectativa é saber se o candidato adotará uma postura de conciliação nacional ou se reforçará a polarização que marcou a campanha presidencial chilena.