Países fecham acordo que garante funcionamento do aplicativo nos Estados Unidos.
A China anunciou estar próxima de um acordo com os Estados Unidos para a criação de uma versão americana do TikTok que será vendida a investidores norte-americanos. O entendimento foi articulado pelo presidente Donald Trump, após críticas a uma suposta intromissão chinesa no país, medida que já havia sido defendida pelo ex-presidente Joe Biden.
Segundo o governo chinês, a nova plataforma usará o algoritmo original desenvolvido pela ByteDance, empresa controladora do TikTok. A expectativa inicial era de que fosse construído um sistema praticamente novo para os EUA, após questionamentos de que o algoritmo poderia ser usado como ferramenta de controle pelo governo chinês.
Wang Jingtao, vice-chefe do regulador de segurança cibernética da China, explicou que as duas partes chegaram a uma estrutura que inclui “o licenciamento do algoritmo e outros direitos de propriedade intelectual”. Ele acrescentou que a ByteDance “confiaria a operação da segurança de dados e conteúdo dos usuários do TikTok nos EUA”.
O entendimento foi alcançado nesta segunda-feira (15), em Madrid, após dois dias de negociações entre autoridades americanas e chinesas. O objetivo é permitir que o aplicativo, de propriedade chinesa, continue operando em território norte-americano. O governo Trump já havia prorrogado diversas vezes o prazo dado pelo Congresso para que a ByteDance se desfizesse de suas operações nos EUA, evitando uma proibição total do app.
Os principais negociadores de Pequim, o vice-premiê He Lifeng e o vice-ministro do Comércio, Li Chenggang, afirmaram que a China aprovaria a exportação do algoritmo do TikTok. Em entrevista, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou que o aplicativo desmembrado “seria controlado por investidores americanos, mas preservaria algumas ‘características chinesas’”.
Um investidor asiático da ByteDance revelou ao jornal Financial Times que a nova entidade americana do TikTok usaria “pelo menos parte do algoritmo chinês, mas o treinaria nos EUA com dados de usuários americanos”. Ainda segundo ele, “o objetivo de Pequim é um acordo de licenciamento. Pequim quer ser vista como exportadora de tecnologia chinesa para os EUA e o mundo”.
Analistas ouvidos pelo Financial Times lembraram que a legislação assinada por Biden em 2024 exige que o algoritmo seja totalmente operado pela entidade americana. No entanto, a mesma lei permite que o presidente dos EUA determine se a ByteDance se desfez completamente do TikTok, o que dá a Trump a prerrogativa de aprovar o acordo final.
A venda do TikTok para uma empresa americana, considerada essencial para a continuidade do aplicativo no país, foi adiada diversas vezes. Caso o negócio não seja concluído, a plataforma corre risco de ser banida dos Estados Unidos.