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Com troca no comando militar dos EUA, Brasil avalia risco de ação na Venezuela

Governo vê mudança no SouthCom como fator que pode antecipar ofensiva americana

12 de Dezembro de 2025
Foto: Divulgação

Os Estados Unidos promovem nesta sexta-feira (12) a substituição do chefe do Comando Sul (SouthCom), divisão das Forças Armadas responsável pelas operações no Caribe, América Central e América do Sul, movimento que levou o governo brasileiro a acender um alerta sobre a possibilidade de uma ação militar americana contra a Venezuela.

No Palácio do Planalto, no Itamaraty e entre as Forças Armadas brasileiras, a avaliação é de que a data da troca no comando é estratégica, pois deixa o cenário mais propício para uma intervenção dos Estados Unidos no país governado por Nicolás Maduro.

A leitura do governo brasileiro é de que deixa o cargo um comandante indicado pelo então presidente Joe Biden, considerado resistente a uma ação militar direta na região. Em seu lugar assume um militar visto como mais alinhado a Donald Trump, que defende uma postura mais dura e ativa do atual comando da Casa Branca.

O novo chefe do SouthCom será o tenente-brigadeiro da Força Aérea Evan L. Pettus, até então vice-comandante militar da estrutura. Ele substitui o almirante Alvin Holsey após apenas 13 meses no cargo, um intervalo considerado atípico para esse tipo de função estratégica.

Segundo fontes do governo brasileiro, a troca aumenta a percepção de que os Estados Unidos podem optar por uma ação cirúrgica, como a incapacitação de radares antiaéreos venezuelanos, o que reduziria drasticamente a capacidade de reação das Forças Armadas do país vizinho.

Também é considerada possível uma ofensiva nos moldes da realizada pelos EUA no Irã, em junho deste ano, quando bombas de penetração maciça foram utilizadas para neutralizar instalações nucleares e alvos estratégicos de energia e defesa.

Diante desse cenário, o Brasil já se prepara para possíveis impactos diretos, especialmente um aumento no fluxo migratório pela fronteira com Roraima. Embora a Operação Acolhida registre estabilidade recente na entrada de venezuelanos, a expectativa é de crescimento caso haja ação militar.

A preocupação se estende ainda ao risco de instabilidade regional, com a possibilidade de desertores militares, civis ligados ao regime e até organizações criminosas se aproveitarem do contexto. O governo brasileiro monitora especialmente a atuação de facções ligadas ao narcotráfico, como o grupo venezuelano El Tren de Aragua, considerado uma das maiores e mais violentas organizações criminosas do país, com potencial impacto também no Brasil e na Colômbia.

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