Reunião foi solicitada pela Colômbia e Brasil pretende se pronunciar sobre ofensiva americana.
Duas agendas previstas para esta segunda-feira (5) devem intensificar as repercussões internacionais do ataque dos Estados Unidos à Venezuela e da prisão do presidente Nicolás Maduro.
A primeira ocorre ao meio-dia, no horário de Brasília, quando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reúne para discutir a ofensiva americana. A reunião foi solicitada pela Colômbia, e o Brasil pretende se pronunciar, mesmo não sendo membro do Conselho.
O embaixador brasileiro Sergio Danese deve reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a ação representa uma “afronta gravíssima” e ultrapassa uma “linha inaceitável”, por violar a soberania da Venezuela e princípios do direito internacional.
Apesar do encontro, a expectativa é de que o Conselho de Segurança não aprove nenhuma resolução condenando a operação dos Estados Unidos, segundo especialistas ouvidos pela CBN. Paralelamente, Brasil, México, Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto condenando a ação militar americana na Venezuela e alertando para violações do direito internacional.
A segunda agenda do dia está marcada para as 14h, também pelo horário de Brasília, na Justiça Federal de Nova York. Nicolás Maduro participa de uma audiência no Tribunal de Manhattan, na qual será formalmente informado das quatro acusações que enfrenta, entre elas a de narcoterrorismo.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, passaram a segunda noite em uma prisão federal de segurança máxima e serão levados ao tribunal sob forte esquema de segurança. Ainda não está claro se o casal já constituiu advogados ou se haverá apresentação imediata de declaração de culpa ou inocência. Em caso de condenação, Maduro pode enfrentar penas que somam décadas de prisão perpétua.
Enquanto isso, Caracas amanhece após ter sido bombardeada pelos Estados Unidos no sábado. Em comunicado oficial, o governo venezuelano classificou os ataques como uma “grave agressão militar” contra o território e a população do país.
No domingo, a presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma “agenda de colaboração”.