Países enfrentam divergências sobre financiamento ambiental, subsídios prejudiciais à natureza e metas de conservação previstas para 2030. A 17ª Conferência
A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17) chegou ao último dia de negociações nesta sexta-feira (30), em Yerevan, capital da Armênia, sem um acordo sobre pontos fundamentais para a preservação da natureza. Após quase duas semanas de debates, representantes de diferentes países continuam divididos sobre o financiamento da conservação ambiental, a redução de subsídios a atividades prejudiciais aos ecossistemas e as contribuições de empresas para um fundo internacional. Diante do impasse, as negociações podem avançar pela madrugada e ultrapassar o prazo oficial de encerramento.
As divergências levaram ao adiamento de reuniões previstas para esta sexta-feira, enquanto diplomatas tentam encontrar soluções em grupos menores de negociação. O principal desafio é estabelecer compromissos capazes de acelerar a implementação das metas ambientais internacionais sem comprometer os interesses econômicos dos países participantes.
Segundo Guido Broekhoven, representante da organização ambiental WWF Internacional que acompanha as negociações, as delegações continuam trabalhando intensamente, mas diversos temas considerados essenciais permanecem sem solução. O ambientalista demonstrou preocupação com a possibilidade de a conferência terminar sem decisões suficientes para enfrentar a perda acelerada da biodiversidade.
Um dos principais pontos de discussão é a aprovação de um balanço mundial sobre o cumprimento do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado em 2022. O acordo estabeleceu 23 metas ambientais que devem ser alcançadas até 2030, incluindo a proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta, a recuperação de ecossistemas degradados e o combate à poluição.
Entretanto, relatórios apresentados durante a conferência indicam que a maioria dos compromissos está atrasada. Atualmente, cerca de 19% das áreas terrestres e águas continentais e 10% dos oceanos estão protegidos, percentuais ainda distantes do objetivo estabelecido para o fim da década.
Outro impasse envolve os subsídios concedidos a atividades econômicas que provocam danos ambientais, como determinadas práticas de exploração de recursos naturais. Estimativas internacionais indicam que esses incentivos podem alcançar US$ 2,6 trilhões por ano. Os negociadores discutem mecanismos para reduzir os impactos dessas políticas e direcionar recursos a práticas mais sustentáveis.
O financiamento da preservação ambiental também divide os participantes. A União Europeia defende que grandes economias emergentes, incluindo a China, ampliem suas contribuições financeiras para apoiar projetos de conservação em países em desenvolvimento. A proposta enfrenta resistência e ainda não havia alcançado consenso nas negociações desta sexta-feira.
As discussões também incluem o Fundo Cali, mecanismo internacional criado para compartilhar parte dos benefícios econômicos obtidos por empresas que utilizam informações genéticas de plantas, animais e outros organismos. O fundo foi estabelecido com a expectativa de arrecadar US$ 1 bilhão por ano, mas recebeu aproximadamente US$ 10 mil desde sua criação, em 2025.
O baixo volume de contribuições tem provocado cobranças por regras mais eficazes para o financiamento da biodiversidade. Organizações ambientais defendem que empresas beneficiadas pela exploração comercial de recursos genéticos participem de maneira mais efetiva dos esforços internacionais de conservação.
A COP17 também deverá definir a sede da próxima conferência, prevista para 2028. Panamá e Equador disputam a organização do encontro, que dará continuidade às negociações sobre preservação ambiental e ao acompanhamento das metas globais.