Organizações como o WWF-Brasil consideram que o resultado da COP29 pode atrasar ações climáticas cruciais, especialmente para adaptação e compensação por perdas e danos em nações vulneráveis
Durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, foi aprovado um novo acordo de financiamento climático no valor de US$ 300 bilhões anuais até 2035. Esse montante será repassado por países desenvolvidos a nações em desenvolvimento para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Apesar de ser um aumento em relação ao acordo anterior, que previa US$ 100 bilhões anuais, o valor foi extremamente criticado por ambientalistas e países mais vulneráveis, que arrecadaram montantes insuficientes.
Organizações como Greenpeace e Observatório do Clima afirmaram que a aprovação não reflete a urgência do momento e desrespeita o princípio de "poluidor pagador", ao permitir o uso de financiamentos privados e empréstimos. Segundo elas, essa medida pode agravar o endividamento dos países beneficiados. Durante as negociações, os países insulares pediram uma meta de US$ 1,3 trilhão anual, mas não foram atendidos.
A COP29 também destacou o papel do Brasil como futuro convidado da COP30, que ocorrerá em Belém, em 2025. A diretora de Clima do WRI Brasil, Karen Silverwood-Cope, destacou que o protagonismo brasileiro durante a COP29 abriu caminho para maiores expectativas em relação ao evento no Brasil. A ministra Marina Silva criticou o acordo fechado em Baku, classificando-o como um “resultado difícil” e defendendo a responsabilidade dos países ricos em ampliar os transportes.
Especialistas alertam que o novo acordo substitui os compromissos de 2009, corrigindo apenas a inflação dos US$ 100 bilhões anuais prometidos anteriormente. Organizações como o WWF-Brasil consideram que o resultado da COP29 pode atrasar ações climáticas cruciais, especialmente para adaptação e compensação por perdas e danos em nações vulneráveis.
A COP29 também fez críticas à presença de representantes da indústria de combustíveis fósseis, acusados de influência sobre as decisões. O WWF-Brasil reforçou a necessidade de excluir esse setor das próximas conferências e destacou que a liderança brasileira em 2025 será fundamental para proporcionar um financiamento climático mais robusto.
Para 2025, o Brasil terá a missão de resgatar a confiança internacional e liderar a divulgação por metas financeiras mais ambiciosas. O país já apresentou uma NDC revisada, comprometendo-se com a redução de emissões de gases de efeito estufa em até 67% até 2035 e neutralidade climática até 2050, fortalecendo sua posição como líder em justiça climática global.