Conferência reunirá mais de 50 mil pessoas e definirá novas metas globais para frear o aquecimento do planeta.
Vista aérea do Parque da Cidade, que será uma das principais sedes da COP30
Belém, capital do Pará, sedia entre os dias 10 e 21 de novembro a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), um dos eventos mais importantes do mundo sobre meio ambiente. A conferência reunirá representantes de 198 países, incluindo líderes de Estado, cientistas, jornalistas e movimentos sociais.
A COP é realizada anualmente com o objetivo de discutir estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C até o fim do século. O evento marca os 30 anos do encontro, que teve sua primeira edição em 1995, na Alemanha, e pela primeira vez acontece em uma cidade da Amazônia.
O presidente da COP30 é o embaixador André Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty. Segundo ele, as conferências são essenciais para aprimorar os compromissos internacionais e alinhar políticas públicas com base na ciência. “As COPs anualmente aperfeiçoam esse processo e criam uma legislação que orienta os países numa direção baseada na ciência”, afirmou.
Estrutura e funcionamento
A COP30 será dividida em dois espaços principais: zona verde e zona azul.
A zona verde reunirá a sociedade civil, instituições públicas e privadas, além de especialistas e representantes de movimentos sociais, em debates e exposições sobre o enfrentamento à crise climática.
Já a zona azul será o palco das negociações oficiais entre governos e delegações, onde serão definidas metas, acordos e compromissos internacionais.
Antes da abertura oficial, entre os dias 6 e 7 de novembro, ocorre a cúpula de chefes de Estado, quando os líderes mundiais devem firmar compromissos políticos e estabelecer o tom das discussões. A previsão é de que mais de 50 mil pessoas participem da conferência, sendo 15 mil representantes da sociedade civil na Cúpula dos Povos.
Desde 2021, as COPs incluem a chamada “Agenda de Ação”, que amplia a participação de governos locais, empresas, universidades e organizações da sociedade civil. “Essa agenda deve dar um dinamismo extraordinário à COP e permitir que diferentes setores contribuam com soluções reais”, explicou Lago.
Desafios e expectativas
Os debates em Belém devem girar em torno da aceleração do cumprimento do Acordo de Paris (2015), do financiamento climático para países em desenvolvimento e de políticas para adaptação e preservação ambiental, especialmente na Amazônia.
Movimentos sociais e ONGs também levarão propostas à conferência. A especialista Stela Herschmann, do Observatório do Clima, reconhece avanços, mas cobra mais agilidade. “As COPs têm um processo muito lento e ainda não estão respondendo à velocidade da crise climática. A ciência já mostrou o caminho, mas as medidas não estão sendo tomadas no ritmo necessário”, afirmou.
Com expectativa global, a COP30 será o principal fórum de negociação climática do planeta e colocará a Amazônia no centro das discussões sobre o futuro ambiental do mundo.