Balanço Ético Global reconhece jovens como protagonistas nas conversas sobre sustentabilidade.
O Balanço Ético Global (BEG) deu um passo importante rumo à COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA). O movimento amplia os espaços de escuta e participação de crianças e adolescentes, reconhecendo-os como sujeitos de direitos e agentes de transformação no presente, não apenas no futuro. A proposta é envolver escolas, comunidades e coletivos de diferentes partes do mundo em diálogos sobre o presente e o futuro do planeta.
A iniciativa se baseia na compreensão de que crianças e adolescentes possuem formas próprias de ver, sentir e interpretar o mundo. Ao incluir suas vozes, o BEG busca valorizar perspectivas inovadoras e espontâneas para lidar com os desafios da crise climática. Essa abordagem reforça o papel da ética como eixo central das decisões relacionadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.
De acordo com Isis Akemi, coordenadora-geral do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), ouvir crianças e adolescentes é essencial. “Toda a problemática da mudança do clima ficará para as futuras gerações. Por isso, é fundamental que tenham espaço para propor soluções que evitem o agravamento do colapso ambiental”, afirmou.
A inclusão desse público resulta de um esforço conjunto da Presidência da República do Brasil, da Secretaria-Geral das Nações Unidas, do MMA e do Ministério das Relações Exteriores, em um processo que busca reforçar o protagonismo juvenil. A ideia é mostrar que jovens não são apenas destinatários das políticas climáticas, mas atores ativos na construção de um mundo mais justo e sustentável.
Um dos compromissos centrais do BEG voltado para crianças e adolescentes é não alimentar a ansiedade climática, mas sim inspirar confiança e fortalecer vínculos. A consultora do MMA Fernanda Oliveira destacou que a condução dos diálogos precisa respeitar a linguagem e as formas próprias de expressão dos jovens. “Não queremos respostas prontas, mas contribuições genuínas. É preciso tratar da crise climática sem provocar preocupações excessivas com o futuro”, ressaltou.
Para viabilizar a participação, o BEG está promovendo diálogos autogestionados voltados a esse público, organizados por escolas, educadores, movimentos sociais e comunidades. Para serem reconhecidos, os encontros precisam seguir diretrizes específicas: contar com pelo menos 20 participantes entre 11 e 17 anos e responder a uma das cinco perguntas orientadoras do programa.
As discussões seguem a mesma metodologia aplicada aos adultos, mas adaptadas para um formato mais acessível, lúdico e inclusivo. A meta é coletar percepções, sentimentos e propostas de crianças e adolescentes sobre o mundo que vivenciam e o futuro que desejam. Um documento-guia está em elaboração para orientar esses processos e consolidar as contribuições.
Inspirado no Balanço Global do Acordo de Paris, o BEG busca refletir sobre os dilemas morais e civilizatórios que a crise climática impõe. A liderança é compartilhada entre o Presidente do Brasil e o Secretário-Geral da ONU, com apoio de ministérios e organismos internacionais. A COP30, ao incluir as vozes mais jovens, promete ser um marco na construção de compromissos éticos globais para enfrentar a emergência climática.